terça-feira, dezembro 30, 2008

Em banho-maria

Encho um tacho com água, ponho a touca na cabeça para não deixar vestígios do meu longo cabelo, dispo o avental e salto lá para dentro. Nado ao fim do dia para espairecer. No silêncio da piscina, tal como no silêncio dos meus tachos.
A cada braçada sinto a água a ganhar mais temperatura, tal como os meus pensamentos. Nado pelas águas de Malta, onde tenho vontade de voltar depois de um telefonema com desculpa natalícia. Molho os pés no Mar Negro, antevendo a viagem que tenciono fazer este ano pela Turquia. Sigo a bruços até Moçambique e por lá faço uma paragem. Talvez como a que tenciono fazer quando organizar a minha rota (da vida).
Mergulho novamente até às piscinas de São Bento, de onde guardo as melhores memórias de uma infância que terminou envolta em tristeza. A tristeza transporta-me para as margens do rio Saone, em Lyon, onde descobri mais uma vez que na minha cozinha há uma capacidade estrondosa de erguer a cabeça e seguir em frente em vez de chorar. Deixo-me ficar em banho-maria, porque nas águas algarvias é assim que ando. Acabo a boiar nas recordações de Cinque Terre, onde relaxei pela última vez como costumo fazer na minha natação de fim de dia.
Saio do tacho, os pensamentos borbulham e volto a erguer a colher de pau para mexer a água do meu próximo cozinhado. Só ainda não decidi qual será.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Mistura de pipocas

Juntam-se duas espigas de milho, uma sala de cinema em lume brando e muito açúcar de boa disposição cor-de-rosa: o resultado só podia ser a minha habitual falta de compostura no cinema. Os anos passam e, inexplicavelmente, eu acabo sempre por NÃO passar despercebida cada vez que entro numa sala com um grande ecrã.
Com a cara banhada em lágrimas dou por mim a ter um ataque de riso onde os soluços se confundem como duas pipocas – salgadas e doces – enfiadas no mesmo cartuxo. O Richard Gere a morrer, a Diane Lane de coração destroçado e eu… a rir sem conseguir parar. Acho que isto mostra muita da minha incapacidade de lidar com situações dramáticas. Acabo sempre a rir da (minha) desgraça. Felizmente, a pessoa que me aocmpanhava nesta noite de cinema gosta das minhas gargalhadas sonoras, por mais inconvenientes que sejam.
Do filme, fica a melhor frase de sempre sobre o amor. Lida em compreensão mútua: “There's a different kind of love: one that gives you courage to be better than you are and that makes you think that everything is possible”. Tem ou não tem razão?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Rabanadas e sonhos

Serve o presente post para informar que sobrevivi a mais um natal em família. Quem me conhece sabe que a tarefa é ardua e que os meus tachos ficam num estado de exaustão extrema... nada que umas rabanadas, um belo tintol, os amigos (os de sempre... mais os recentes que parece que sempre cá estiveram) e um telefonema cheio de sonhos (inesperados) não ajudem a ultrapassar. Cá estamos, pronta para soltar a azevia que há em mim!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Sopa da pedra

Se num caldeirão que demorou demasiados meses a encher juntarmos várias latas de sentimentos indefinidos mas sinceros, vários quilos de paciência e molhos de qualquer coisa ingénua que nem mesmo eu sei onde fui colher, concluo que nunca poderei ser uma sopa de pedra. Sou demasiado terna, por mais que me esconda na solidez dos meus tachos de ferro. Contudo, há alturas em que percebemos que terminou o prazo de validade.
Há umas semanas alguém me mostrou a música que partilho no fim deste cardápio. Certeira. Mas se em tempos a ouvi com saudosismo, agora oiço-a zangada. Sentimento tão atípico em mim. Zangada comigo porque insisto e expor-me a altas temperaturas quando sei que não sou a pedra da dita sopa. Porque insisto em me preocupar e dar o melhor de mim nas alturas erradas. Porque embora me considere uma mulher inteligente, o meu coração de manteiga deu-me cabo da receita.
É engraçado como as cozinheiras que sempre tiveram uma vida recheada de ingredientes problemáticos tendem a achar que uma situação difícil é apenas mais um simples desafio. Uma cozinheira normal fugiria a sete pés. Em 2009 esta é uma das coisas que vai mudar por estes lados.

Cozinha... a quatro patas!

“There's a rat in me kitchen, what am I gonna go?”, já diziam os UB40 (Parola 2, obrigado pela sugestão). Ao fim de meses de invasão roedora na minha cozinha descobri (via chouriço) que há um rato assíduo nos meus tachos. Convencer a ASAE de que não era motivo para fechar a porta foi difícil mas, depois do susto, estamos de volta entre bigodes e caudas compridas. Dedicado ao meu leitor revelação (de quatro patas?), deixo um vídeo onde fica provado que os ratos são amigos das cozinheiras. Volta sempre ;)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Chouriços

Por mais que seja uma verdadeira apreciadora de enchidos, na minha cozinha chegou-se a uma conclusão: encher chouriços, nunca mais!
Já tive o prazer de grelhar umas quantas espécies de chouriços no meu pote de barro. Gostei particularmente das linguiças suculentas, das morcelas do norte, dos salpicões mediterrânicos e até mesmo dos chouriços correntes … e foram raras as alheiras gordurosas que me deixaram mal-disposta depois. Posso por isso dizer que sempre tive uma boa relação com os enchidos, mesmo quando tive de aturar uns quantos verdadeiros chouriços que me passaram pela vida.
Contudo, nos últimos tempos percebi que encher chouriços é algo para que não fui talhada. Já não sou a cozinheira paciente que muitos conheceram e, sinceramente, já chega de paios mal-curados na minha cozinha. Espero que me sigam o exemplo.

domingo, dezembro 14, 2008

Soltar a franga... de churrasco

O frango assado tem sido parte integrante de muitos dos melhores momentos da minha vida. Com molho de limão ou com picante, é um ícone. Seja em dia de festa, seja nos dias maus em que não há tempo para cozinhar e se opta pelo desenrasque.
No meio de tristezas agudas, foi em tom de celebração que se comeu frango à mão pela primeira vez em conjunto na (+/-) casa da Parola 2. Também ela optou por fechar a cozinha por motivos sentimentais já lá vão uns bons tempos e este semi-churrasco (de emoções… que noite!) marcou o início talvez de uma nova era. Embora o fogão não tenha sido ligado, um passo (ou uma perna de frango) foi dado em frente. Porque em épocas como esta, onde reina a tentativa vã de esquecer os que nos põem com pele de galinha, só mesmo a soltar a franga (quem sabe, no espeto) é que nos salvamos em mútua compreensão.

sábado, dezembro 13, 2008

Bolo de caco

Juntam-se três amigas numa panela de pressão, dúzias de incertezas, um coração fragilizado e 500g de uma triste ideia (minha, ainda por cima) de ir ver o espectáculo de homenagem à Amália Rodrigues. Terminamos tal qual bolo de caco, ensopado em lágrimas. E foi precisamente a "Lágrima" que me deixou a cara banhada pelas emoções difíceis de conter. Pela voz da Ana Moura (só podia). Porque na minha nova cozinha já não se tem vergonha de chorar. Porque eu estou cada vez mais autêntica. Porque os afectos fazem parte do mais gourmet que há em mim.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Pão para todos os (meus) gostos

Pão. É este o primeiro grande pitéu da minha cozinha semi-remodelada. E porquê? Porque o pão é talvez dos meus alimentos preferidos… e cuja importância sócio-cultural atravessa gerações, desde a santa ceia com o Jesus e os doze amigos (e a namorada).
Começo com um cesto de broa de milho. Pão, bom comó milho… Porque a partir de hoje papos-secos (literalmente) vão ser evitados na minha mesa. Segue-se uma baguete com chouriço, porque só um sabor forte pode ajudar a tirar da boca outro igualmente intenso. Continuo com uma bela açorda, porque é assim que me sinto. Meio desfeita, mas cheia de consistência, como em todas as alturas da vida em que tive de andar para a frente.
Termino com uma GRANDE fatia de pão-de-ló. Recheado com o melhor creme de ovos… cujos efeitos indigestos não me deixam esquecer que o meu coração entrega-se poucas vezes, mas quando o faz não tem medo de arriscar. Mesmo que acabe tal qual torrada queimada.
A fatia de bolo é grande porque me fartei de comer apenas os restos. Porque uma grande cozinheira não deve contentar-se apenas com migalhas de atenção. Mas se algum dia o bolo me chegar novamente, mas inteiro, tenho a certeza que a minha sensatez vai ser maior do que o orgulho. Tal qual pão com manteiga que sou.

A todos os glutões: reabertura prevista!

Porque tristezas não pagam dívidas e a pedido de várias famílias anuncio que a cozinha vai reabrir muito em breve… quem sabe ainda hoje. Em tons de verde (porque é minha cor preferida), com jarras cheias de flores (porque no meu regresso a Lisboa recebi uma e soube-me muito bem esse miminho inesperado), com receitas menos experimentais (porque de vez em quando é preciso voltar a perceber a importância das refeições consistentes e tentar esquecer os sabores indefinidos que no fundo nunca fizeram um esforço por merecer a dedicação dos meus tachos), com sorrisos na inauguração (porque como me diria hoje um colega: a tristeza não condiz contigo), com um novo fôlego (porque sei que sou uma grande cozinheira… e que estou rodeada pelos melhores amigos de sempre).
Enquanto faço as limpezas necessárias ao pó que encheu as minhas prateleiras, vou escolhendo a banda sonora para a abertura. Por agora o som ainda é lamechas (porque infelizmente sou muito mais romântica do que galdéria), mas prometo que também isso deverá mudar em breve.

domingo, dezembro 07, 2008

Obras na cozinha

Ha alturas em que precisamos parar e renovar o stock de ingredientes, o menu, os cheiros, as cores. A minha cozinha fechou hoje para obras. Nao vao ser prolongadas. Mas deverao ser profundas porque atras das panelas desgastadas pelo habito de pratos insuficientes, reina uma cozinheira desejosa por ter um novo 'tasco' gourmet. Quem sabe com sabores tipicos de Portugal. E la vamos nos outra vez... :)

quarta-feira, novembro 26, 2008

Prato do dia: Bifes

Bifes. Quem não gosta? Ao longo da minha carreira culinária, que começou nos meus 14 anos, percebi que o grande segredo para este prato era simples: bate-los com o martelo repetidamente até ficarem sem nervos.
Quando tenho a certeza que um bife é saboroso bato-o exaustivamente até conseguir deixá-lo tenro. Posso juntar-lhe alho para dar um sabor mais intenso a esta relação cozinheira/ingrediente, quem sabe um pouco de sal para dar um sabor mais firme em épocas de indecisão, pimenta (indispensável!) porque um bom bife tem de picar ligeiramente na língua. Mas as batidelas carinhosas do meu martelo são a chave de tudo.
Quando acho que um bife não vale a pena atiro-o para dentro da minha frigideira, dou-lhe duas voltas e, com a tampa em cima, deixo ficar em lume brando a ver o que acontece. Não desisto logo porque nunca se sabe se dará jeito para um prego. Mas nunca passará disso. Agora aqueles em que insisto em bater, é porque valem a pena. E pacientemente vou mantendo o martelo na mão. O martelo do coração.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Refeições perfeitas

Nem sempre uma receita tem de ser especial para ser perfeita. Na minha cozinha aprecia-se, por exemplo, a simplicidade do pão com manteiga. Perfeito! Ou então o tão comum bife com batatas fritas. Perfeito! Ou ainda, um simples rosé do Lidl (parola 1, esta é para ti!). Perfeito!
Os meus últimos dias tem sido apimentados por momentos simples, mas perfeitos. Uma sauna recheada com conversas muito à Sexo e a Cidade. Um hábito nocturno via sms com cobertura de descoberta. Gestos inesperados, mas atrevidos, que trazem de novo a expectativa do caril... do mais simples e picante.
E porque todos o pratos perfeitos devem ser celebrados, aqui fica a música (parola 2 muito obrigado!) que seria a banda sonora desta refeição.

domingo, novembro 16, 2008

Omeleta simples

Para fazer uma omeleta (como deve ser) são precisos pelo menos dois ovos. Quando um deles não está cem por cento pronto para receita, inevitavelmente acaba tudo numa sucessão de ovos mexidos que, embora saborosos, serão eternamente separados… em bocados perdidos algures na frigideira.
Esta semana alguém me disse: “Estás com um ar decidido. Passou-te a tristeza?” Ora nem mais. Percebi que tenho vontade de comer omeleta e que não posso ficar eternamente em busca dos ovos de codorniz compatíveis (em vontade, principalmente) para a cozinhar. Por isso mesmo abri o frigorífico das minhas emoções e espreitei, com cuidado, a ver se a caixa de ovos dos normais há muito lá guardada continuava a esperar pacientemente. Decidi abri-la (sem lhe dizer porque é segredo e eu ainda não tenho a certeza) e surpresa das surpresas: achei os ovos maravilhosos. E em vez de uma omeleta arrebatadora imaginei uma omeleta simples. Sem recheios, sem complicações, sem indefinições no sabor. Pareceu-me bem. Talvez o menu venha a mudar em breve por estes lados.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Especiarias desarrumadas

Há uns dias alguém me enviou esta sugestão de banda sonora para a cozinha. Alguém que percebeu a desarrumação das especiarias que nos últimos tempos invadiram as minhas prateleiras, habitualmente recheadas de decisões firmes. Aqui vai a explicação para todos os que, com o coração de manteiga, me deram as maiores (e mais doces!) reprimendas de sempre.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Biscoitos do principezinho

Receita: “Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas”
Há palavras doces como mel e suaves como manteiga, mas que, quando paramos para pensar, podem ter um lado bem estaladiço e verdadeiramente pesado como os biscoitos secos que as avós nos fazem. Sempre me impressionaram as grandes verdades quando são ditas de forma ternurenta. E talvez por isso tenha lido vorazmente “O Principezinho” por mais do que uma vez. Agora apetece-me voltar a pegar nele. E entre uma caixa de biscoitos da verdade e umas pausas para reflexão, há frases que ficam para sempre:

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos.”
“Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”
“Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

quarta-feira, novembro 05, 2008

Marmelada sympathica... em vinha d'alhos

Sobre o último fim-de-semana gastronómico só meia dúzia de apontamentos para o meu livro de receitas: descobri que no sul do país a marmelada é sympathica, que entre os que me rodeiam há quem não tenha problemas com a bebida e pelo contrário até se dê muito bem com ela. Há outros que não a aguentam. De todo.
No meio de exageros no prato, descobri também que à mesa os beijos roubados voltaram a ser moda. Que as longas conversas servidas no forno antes de dormir podem provocar insónias desastrosas. Que uma caminhada no campo pode ser aniquilada em três tempos com amêndoas e bacalhau da mãe. E ainda em vinha d’alhos reflicto sobre tudo isto e concluo que em conjunto somos uma bela caldeirada!

sexta-feira, outubro 31, 2008

Refeições simples

Porque uma refeição simples deve ser acompanhada por uma música simples. Porque nem tudo tem de ser complicado.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Lágrimas de cebolada

Fazer uma cebolada sem deixar cair uma lágrima é uma tarefa difícil… que eu vou conseguindo de forma heróica uma após a outra. Mas tinha de chegar o dia em que os meus olhos entupidos não aguentavam mais.
As rodelas de cebola foram-se acumulando e sim, é verdade, nos últimos dias tive uma lágrima ao canto olho. Senti-me triste, sem vontade de falar, atolada nas angústias que se arrastam há meses (algumas há anos). Umas tão perto, outras tão longe. Mas todas presentes no meu coração de manteiga.
Cada vez que pego na faca para descascar as cebolas da minha vida faço-o de forma furiosa, sem dar azo a fraquezas. Foi assim que cresci e é isto que todos esperam de mim. Sou o pilar. A que resiste a todos os ácidos. Contudo, há alturas em que é preciso deixar descer as tristezas e por momentos ser uma cozinheira que chora. Que não diz piadas a toda a hora, que não tem sempre um sorriso, que também precisa de espaço para reaprender a ver o lado positivo das situações. Nem eu me reconheço. Mas por esta vez dou-me ao direito de me sentir assim.
Hoje as cebolas já refogaram no azeite proveniente de uma boa conversa. Azeite virgem de emoções, de compreensão, onde foram salteadas as primeiras verdadeiras gargalhadas da minha semana. Daqui a uns dias tenho a certeza que das cebolas não vai restar nada na minha cozinha.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Fome... das que arrebatam

Numa dieta os momentos de fraqueza são fatais. Descobrimos que os ingredientes suculentos que fazem agora parte da nossa vida afinal não preenchem a fome que ficou para trás. Aquela fome que nos arrebatou e que nem deu conta (ou não quis dar). A fome que se transformou numa indefinição gastronómica cujo sabor, por mais amargo que seja, resiste. Doce. Oiço esta música e sinto-me uma idiota.


quinta-feira, outubro 23, 2008

Declaração de amor gourmet

O verdadeiro prato gourmet que se segue tem sido tema de algumas conversas. Decidi publicá-lo aqui porque também para mim tem um gosto especial. Porque sim, o olhar perfeito existe. Porque sim, ainda há quem faça declarações de amor (por vezes desajeitadas mas surpreendentes). Porque acredito que em tempos de sabores azedos, o que de mais doce existe acaba sempre por aparecer (de onde menos se espera).
À vossa, minhas parolas, colegas dos destemperos! :)

sábado, outubro 18, 2008

Banquete de emoções

Ir a um casamento significa muitas vezes entrar num caminho incontornável de engorda... a todos os níveis. Não só pelos comes e bebes (principalmente os bebes que como se pode ver fizeram o seu efeito), mas também pelo que nos acaba por encher o coração: celebrar a felicidade dos noivos, estar rodeado por amigos de nos engordam o dia-a-dia com a cumplicidade tantas vezes hilariante (devo relembrar a melhor frase do dia: “O ideal é picá-los, levá-los ao estado da loucura e depois não fazer nada quando chega a hora H. O problema é que eu nunca consigo resistir!”), conhecer pessoas novas que podem dar uma ajuda à engorda de emoções fortes inesperadas, encher a barriga (e não só) com gargalhadas descontraídas, mas também com conversas em tom de balanço de vida (é verdade, embora todas evitemos a hora do bouquet como o diabo foge da cruz, os “ses” do amor são um tema recorrente… e deprimente). Junta-se a tudo isto uma cabeça de leitão (a figurar todas as cabeças de porco que temos vontade de espancar), umas perninhas de sapateira (figurando os mariscos que todas temos em vista), e o belo do licor Beirão, para regar com alegria o simples facto de nos entendermos tão bem com um simples olhar. Findo o dia, digerimos o banquete ao som deste hino… não fosse o sucesso do "Apitó Comboio" e esta seria a música das nossas vidas! ;)



Ps - É em fotos como estas que percebo a minha gigante dificuldade em manter uma aparência respeitável quando estou totalmente descontraída. Por mais que me peçam uma cara séria acabo sempre nestas figuras duvidosas. Nunca serei uma cozinheira respeitada!

sexta-feira, outubro 10, 2008

Molho agridoce

Se misturarmos momentos doces, com pensamentos acres, receios espessos e decisões a que nem a melhor batedeira do mundo conseguiria tirar os caroços da racionalidade, obtemos um verdadeiro molho agridoce, onde a vida ganha contornos cheios de dúvidas e o mais importante é deixado ao acaso em prol do medo de queimar a língua.
Muitas vezes dei por mim a cozinhar a medo. Sou uma cagarolas, bem o podem dizer. Talvez porque na cozinha onde cresci a incerteza foi uma constante durante muito tempo e as defesas que se criam são irreparáveis. Por isso mesmo também nunca fui muita adepta de molhos agridoce. Deito-o fora e raramente o uso nos meus pratos. Mas como a culinária é um desafio constante, abro o tacho e é com um sorriso que conscientemente limito-me a mexer o molho, sem medo. Mesmo sabendo todos os prós que poderá trazer ao meu estômago tenho vontade de arriscar. Estarei a mudar?

quarta-feira, outubro 08, 2008

O Segredo... da culinária

Muito cedo descobri que o segredo da culinária é simples: cozinhar com amor. Por que é que a comida da mãe sabe sempre tão bem? Porque é feita com amor. Por que é que quando fazemos um jantar romântico o prato fica uma delícia? Porque é feito com amor. Por que é que as jantaradas com amigos, mesmo aquelas em que se tem de cozinhar para 20, saem sempre bem? Porque é feito com amor.
Na minha cozinha cozinhou-se durante algum tempo sem sentimento. Um género de fast food à pressão, em que o que interessava era despachar e enganar o estomâgo repetidamente. Não que eu seja uma cozinheira fria, mas às vezes sermos demasiado racionais e ponderados tem destas coisas. No entanto, os meus tachos trocaram-me as voltas e dei por mim a querer usar os meus temperos sem pensar muito. Deitar uma pitada de sentimentos no meu espaço gourmet e cozinhar com o coração. Se vou ser bem sucedida não sei. Mas a minha mão para a cozinha nunca esteve tão doce como agora.

sábado, outubro 04, 2008

Churrasco de amizades

A amizade pode ser comparada a uma grelhada mista: vários tipos de carne que não têm nada a ver mas que juntos são um repasto dos céus. Nada como um amigo armado em bife do lombo para dar conselhos muito tenros e cheios de razão. Ou uma amiga tipo entremeada que no meio da tira de gordura ternurenta nos diz as verdades que não queremos ver. Ou até aqueles em formato de salsicha, que, contra muitas probabilidades, despem a capa picante e se transformam em ouvintes pacientes. Tenho a sorte de viver rodeada por uma fantástica grelhada mista que me dá toda a atenção quando acabo transformada numa espetada queimada. Seja na brasa ou na travessa após horas à mesa, estão sempre cá em todas as ocasiões.

Fogão apagado

Porque há alturas em que finalmente se percebe que o melhor a fazer é apagar os bicos do fogão, respirar fundo e só depois voltar a ligar o gás para recomeçar com um novo estilo de culinária. Menos gorduroso. Mais saudável. E certamente muito doce. Eu estou disposta a tentar.

sábado, setembro 27, 2008

Regueifas doces

Na Grecia ter uns quilos a mais nao tem mal nenhum... pelo contrario. Eu e as minhas regueifas temos sido um sucesso por ca. Desde o homem da padaria que me oferece bolos porque tenho de engordar mais um bocadinho, ao dono do bar da praia que me acha uma bela rapariga, ja ouvi de tudo vindo da boca dos gregos (que de deuses nao tem la muito...). Quando voltar a Portugal talvez abra uma padaria... o negocio das regueifas afinal pode render!

terça-feira, setembro 23, 2008

Gnocco frito com salami

Nao fosse o Papa e Italia podia ser o pais do inferno gastronomico. Durante cinco dias fui um verdadeiro gnocco (frito, a estalar), entre salamis tentadores, tais quais Casanovas versao mestres da culinaria. Prazeres da boca facilmente se misturam com os prazeres da carne. Altura para dizer que o pecado mora na frigideira ao lado. Por isso mesmo nada como refrescar as ideias com uma grappa. Desta vez consegui manter o avental apertado e a colher de pau na mao para qualquer eventualidade!
Segue-se a Grecia... a minha cozinha ja cheira a kebab...

sábado, setembro 13, 2008

Receitas e viagens

Planear uma viagem é como pôr em prática uma receita. Primeiro a ansia de oganizar os ingredientes (decidir o destino, pesquisar sobre o que se quer visitar, comprar bilhetes, etc). Depois a exictação de os pôr na panela e deixar cozinhar (ir, conhecer, explorar, relaxar, absorver, etc), comer (quando a viagem está mesmo no fim e já temos um gostinho a saudades na boca) e por fim sentar no sofá de barriga cheia, totalmente saciados (o regresso cheio de recordações). É isto que me encanta em viajar: antes, durante e depois há sempre satisfação. Como na cozinha. Estou prestes a entrar pra panela!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Engate gastronómico com sabor a presunto

Sempre fui o tipo cozinheira que gosta de um chef com ares de gentleman. Alguém que me diga: “Estás muito bonita esta noite” (com avental). Mesmo sabendo que por trás estava uma tentativa de engate gastronómico assumida, não tenho problemas em admitir: gosto. Tortilha não é o forte da minha frigideira, mas quando mete um belo “jamon” pelo meio o caso muda de figura. E de sabor.

sexta-feira, setembro 05, 2008

De tacho em tacho

«Catherine Townsend descreve-se a si mesma como "em parte galdéria, em parte uma romantica incurável". Acima de tudo quer desfrutar de tudo a que tem direito: um jantar inteligente, seguido de uma apaixonada noite de sexo ocasional; uma vida de cama em cama, enquanto procura a alma-gémea.»
É este o breve resumo do livro delicioso que ando a ler. Chama-se "De cama em cama". Nem sequer faço comentários aos comentários de quem mo indicou. Comentários e recomendações aceites. Fiquemos por aqui... de tacho em tacho.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Setembro... sem picante!

Um dia vou ser uma cozinheira às direitas e deixar de fraquejar perante malaguetas, pimientos padron, gengibres e afins tentadores que teimam em rondar o meu fogão, com cheiros tentadores e sabores ainda mais.
Vou (tentar!) dedicar-me ao arroz branco sem sabor, aos legumes frescos sem tempero e a todos aqueles alimentos previsíveis que desapareceram do meu frigorífico nos últimos meses e voltar a ser a chef tradicional que não arrisca queimar a língua. Há quem tenha dúvidas, mas talvez possa ser possível.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Esparguete stressado na caçarola

Quatro velhinhas brincam com os esparguetes dentro de uma caçarola bem cheia de água. O cenário faz sorrir qualquer um. Ao mesmo tempo uma louca nada furiosamente dentro desse caldo sem refogado, redescobrindo o prazer de meter as ideias em ordem com umas belas braçadas sem colher de pau. A louca sou eu, claro.
Afastada das minhas aulas cheias de molho do body combat (por causa de mudanças de horários), opto pelo esparguete cozido da piscina do ginásio. Entre a hidroginástica e a natação livre, debato-me com o stress que teima em não sair de dentro de mim. Sou como uma massa espiral em água a ferver, talvez mesmo um pacote disperso de massinhas de letras que não sabem ainda que palavra formar. Acabo o dia na carbonara pesada e indigesta da vida nocturna em frente ao computador. E espero ansiosa pelo próximo momento de relaxamento na caçarola. Ando a precisar.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Brigadeiros e afins

Hoje há brigadeiros, mousse de chocolate, bolos coloridos com os meus granulados secretos e muito mais. É dia de festa na cozinha. Sem qualquer motivo em especial. Apenas porque a vida merece ser celebrada diariamente. Por isso mesmo aqui fica o clássico de sempre.


terça-feira, agosto 19, 2008

Ovos moles... especialidade da casa!

Sempre me ensinaram que o segredo dos ovos moles está em bate-los até à exaustão. Com impaciência, indecisão, insegurança, mas de animo leve. Descobri entretanto que sou uma expert nesta receita…
Junto sempre um pouco de farinha do “deixa andar” para engrossar o leque de ovos deste doce, deixo-me estar armada em mole, faço-os sentirem-se cada um “o único” e no fim misturo-os todos (para mal dos meus pecados). Alguns como-os à colher, outros guardo no frigorífico para mais tarde.
Apanho uma barrigada (bendito alka-seltzer daqueles que me aturam!) mas os meses passam e continuo insaciada olhando sorrateiramente para o pequeno pacote – que não é de Aveiro – que teima em permanecer fechado na prateleira. Incrivelmente ainda não se esgotou o prazo de validade. Até eu me assusto com esta capacidade de conservação.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Conversas na cozinha... outra vez

Parola 1 - Estou farta de me apaixonar pelas pessoas erradas.
Parola 2 - Isso é porque não estás disposta a ter sentimentos por ninguém.
Parola 1 - Não consigo tirar esta capa da durona, eu sei.
Parola 2 - E que tal se abrisses o coração?
Parola 1 - Pois, se calhar tens razão. Ultimamente só tenho aberto as pernas.
Parola 2 - (revirar de olhos e gargalhada)

São conversas como estas – simples, directas, sinceras, ordinárias, divertidas – que fazem com que as cozinheiras do meu espaço gourmet criem elos inabaláveis. Embora com opções diferentes de condimentos, respeitamos os sabores do prato de cada uma. Respeito é a palavra-chave da amizade.

terça-feira, agosto 12, 2008

Condimentos musicais eternos

Por falar em paixões, há condimentos musicais eternos que por mais anos que passem não deixam de tocar na minha cozinha. Se tivesse de fazer um TOP 10 das mais ouvidas por mim em épocas lamechas estas estariam lá de certeza:

Eric Clapton “Wonderful tonight”
Damien Rice “Canonball”
Caetano Veloso “Sozinho”
Bryan Adams “I’ll always be right there”
Dave Matthews “Crash into me”
John Mayer “Your body is a wonderland”
Clã “Problema de Expressão”
Chico César “À primeira vista”
U2 “In a little while”
Ana Moura “Aguarda-te ao chegar”

Alguém resiste a estas especiarias do coração?

Recheios de verão

O Verão é por excelência recheado com os melhores cremes de paixões arrebatadoras. Este breve apontamento serve para dizer que encontrei o meu recheio. Perfeito. Platónico.
Chama-se Nitin, tem quase idade para ser meu pai – nada que já não comece a ser um hábito – esteve no Sudoeste, arrebatou-me por completo. Além de ser um belo exemplar de beleza gastronómica, tem também um toque de especiarias longínquas e um ligeiro aroma a incenso. Estou rendida. A última vez que o vi, estava mais ou menos assim:

terça-feira, agosto 05, 2008

Gelatina Gelly-Já!

Ingredientes:
1 pacote de gelatina
100g de tremores
Solidez qb

Como que por magia a gelatina começa por ser líquida mas depois solidifica-se. Na vida há muitos momentos em que devemos mexer bem o pacote de “Gelly-Já” que há em nós e mantermo-nos sólidos, indestrutíveis, serenos… por mais que haja alguns tremores. Tenho passado por várias situações de gelatina ao longo dos anos e nenhuma delas me conseguiu deixar em estado líquido. Nas últimas semanas o meu pacote Gelly já voltou a ser posto à prova, com sabores pouco doces, muito menos amorangados. Mesmo fora do frigorífico faço um esforço por não acabar a escorrer. A verdade é que continuo de pé. Sólida para o que der e vier.

Ps – Agradecia-se que a seguir viesse uma lata de chantilly.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Cozedura impaciente

Não gosto de comida mal passada, mas confesso que não sou das cozinheiras mais pacientes no que toca a tempos de cozedura. Sou péssima quando o que me exigem é esperar… principalmente se nem sequer tiver o cheiro do repasto para me ir saciando. Mais estranho ainda é que mesmo não tendo grande queda para esperar, acabo sempre por deixar colar ao fundo do tacho os refogados mais difíceis. Sou uma contradição. Eu sei.

segunda-feira, julho 28, 2008

A mulher por trás do avental

Ainda sobre pratos chiques… depois de várias degustações concluo que alguns parecem uma simples tosta mista e depois se transformam numa requintada tosta com salmão fumado. Valha-nos estas excepções.
Muitos julgam que na minha cozinha reina a comida tradicional, sem espaço para grandes delicadezas. É mentira. Por trás do avental há uma chef gourmet, que adora o requinte.
Sim gosto que me abram a porta para entrar na cozinha. Sim, gosto que me puxem a cadeira quando me vou sentar para provar os prazeres da boca. Sim, gosto de presentes. Sim gosto que me surpreendam com sabores inesperados. Sim, há uma mulher por trás dos tachos. São poucos os que chegam a perceber isto.

Caviar não enche barriga

Uma amiga hoje disse-me a seguinte frase:
“O problema dessa conversa de caviar é que é chique, mas depois não alimenta”.
Ela tem razão. Foi uma bela descrição gastronómica para o caviar mais antigo do meu menu.

segunda-feira, julho 21, 2008

Sabor azedo

O ingrediente mais azedo de qualquer cozinha é certamente a desilusão. São raras as vezes que o deixo cair na minha panela mas desta vez escapou-me. Posso mexer mil vezes com a colher de pau que o gosto amargo não sai. Não sou uma cozinheira rancorosa, mas comigo é mesmo assim. Deito-a pela pia abaixo mas o cheiro fica no ar eternamente, entranhado nos armários dos meus tachos. Ninguém dá por ela, eu isso não deixo. Mas quando entro na cozinha da minha vida, ela está lá escondida. E estará por muito tempo, tenho a certeza.

domingo, julho 20, 2008

Boatos para ferver em lume alto

Um pequeno apontamento para constatar o seguinte: entre os presentes que recebi hoje vinha uma vela "para noites de sedução". Há uns dias recebi das mais altas patentes a colecção dos livros sobre sexo do Correio da manhã. Um manual de receitas afrodisiacas também me está prometido sem eu ter pedido nada. Começo a achar que a clientela está certa de que a minha vida afectiva com os tachos ferve a altas temperaturas. Gostava de apanhar o chef que espalhou tal boato.

Batata quente

Sou como uma batata que acaba de sair da terra. Colhida para os meus míseros 24 anos que tanto espantam quem me rodeia. Nada muda, mas ao mesmo tempo muda tudo. Apenas porque na minha cozinha todos os dias são de mudança.
A batata é um alimento que se adapta a qualquer prato. Talvez por isso e por todas a vezes que já tive de dar a volta na minha horta nos últimos dez anos eu me sinta como este vegetal. Seja feita em puré (que já foram umas quantas), seja frita em altas temperaturas, seja assada no forno à moda maltesa que eu tanto gosto, seja a murro (ok, só houve uma vez e não fui eu quem ficou negra), seja recheada... como nesta noite em que entrei nos meus 24. Recehada de pessoas especiais.
Neste preciso momento sou uma batata quente. Daquelas que se tem na mão e não se sabe o que fazer com ela. Sou uma batata quente de emoções e desejos. De sonhos e convicções. Sem bolor.

quinta-feira, julho 17, 2008

Alka-Seltzer... no más!

Ingredientes:
1 lata de descontracção
1 pacote de expectativas
Alka-selzter

Uma conversa no Bairro, depois da minha cozinha fechar, abriu-me os olhos. Um desconhecido (que agora vai ficar cliente, tenho a certeza) deu-me um conselho sábio para o futuro do meu menu: não insistas em refogar prolongadamente esse pacote bolorento de expectativas. Põe antes na tua frigideira a lata da descontracção e faz um repasto com aquilo que não te prejudica o estômago.
Ando há uns bons tempos a tomar alka-seltzer. Repetidamente. Há uma tendência em insistirmos nos ingredientes inesperados, dos quais nunca sabemos qual vai ser o sabor final (ou mesmo quando é que vai finalmente ficar cozinhado). Ontem decidi: vou retirar da despensa a lata da descontracção. Já tenho o meu próximo destino de férias decidido.

terça-feira, julho 15, 2008

Sabores do mundo misturados

Continuando na música, vamos misturar feijão e arroz do Brasil com hambúrgueres da Califórnia… e um belo tinto de Portugal. À falta de uma Vanessa da Mata, o repasto termina com um momento memorável em que 30 mil pessoas fazem um dueto com Ben Harper. E assim continua a minha barrigada de concertos de verão.

segunda-feira, julho 14, 2008

Fora da cozinha... sem controlo

Nos últimos dias fechei a cozinha e dediquei-me a outro prazer da vida: a música. Há momentos em que nos sentimos em sintonia com o mundo. No concerto dos The Gossip foi assim que me senti. O (meu) mundo parou lá fora. Mas o mais engraçado é que eu nem sequer conhecia bem a banda. Ora aqui fica o melhor momento da noite… com mais de 50 pessoas a dançar em cima do palco em êxtase total.

sexta-feira, julho 11, 2008

Receitas antigas

Hoje é dia de regressos ao passado na minha cozinha. Mr. Bob Dylan é o chef de serviço esta noite. Aqui fica um dos pratos que eu espero ter o prazer de provar mais logo.

terça-feira, julho 08, 2008

Indecisões no menú

Ingredientes:
Cubos de açúcar
Malaguetas
Molho agridoce

Vou às compras para que o stock da minha cozinha não acabe e deparo-me com um dilema: só tenho espaço na prateleira para um produto. Problema que cresce quando a oferta é variada. Altura de decisões, concluo.
Como escolher entre um pacote de cubos de açúcar, uma caixa de malaguetas e um pacote de molho agridoce? Gosto dos três sabores e cada um deles preenche um lado do meu menu. Por um lado a doçura dos cubos de açúcar fazem-me água na boca e imagino a quantidade de belas delícias podia fazer… e que me deixariam certamente caramelizada. Contudo, as malaguetas significam o lado picante do meu livro de receitas… do qual eu sou adepta. Por fim, o molho agridoce, tal como o nome indica, representa a mistura dos dois últimos. Tem um lado doce como mel e outro amargo, picante e alucinado que (vá-se lá saber porquê) me fascina.
Fazendo contas à vida, não sei qual o rumo escolher para o meu espaço gourmet. Acho que vou atafulhar a cozinha e continuar com os três sabores… totalmente desarrumados.

sexta-feira, julho 04, 2008

Os meus pobres tachos

Devo confessar que na minha cozinha há um problema: deixo muitas vezes a comida pegar ao fundo do tacho. Geralmente aprende-se com os erros gastronómicos e evitam-se novos excessos ao lume mas eu acabo sempre por repetir. Esqueço-me de mexer com a colher de pau da racionalidade e acabo com a vida colada à base do tacho, meio queimada, meio estaladiça. As limpezas que se seguem são geralmente árduas. Há que raspar com força os restos e eu não sou uma cozinheira musculada nesse sentido. Contudo, não sei explicar porquê mas até gosto deste sabor a queimado. Talvez inconscientemente seja eu própria quem põe o lume no máximo e vira costas. Repito e volto a repetir. Estupidamente com um sorriso estampado na cara.

quarta-feira, julho 02, 2008

Arroz malandrinho

"Eu dou-te o arroz, dou!" Quantas vezes já eu ouvi esta frase na minha cozinha? Esta manhã enquanto lavava os tachos dei por mim a pensar na importância deste alimento na minha vida. Não escondo: sou tipicamente um arroz manteiga. Já tentei ser integral mas chateia-me a indiferença aos sabores em meu redor. Durante uns dias consegui vestir a capa de arroz selvagem mas não é essa a minha essência.
Perfumei a minha vida como se fosse um basmati mas mesmo assim faltava qualquer coisa. Após várias tentativas descobri que o arroz é muito melhor quando se adicionam novos ingredientes. Meti-me no tacho e decidi arriscar. Neste momento sou um arroz de tomate, carregado de coentros frescos… e bem malandrinho.

sexta-feira, junho 27, 2008

Milagres de Malta

Dizem-me que ando mais radiante. Que me soltei. Que estou com melhor cara. Que ando tonta de todo. Que gostam de me ver assim. Milagres de Malta, digo-vos eu.
Na minha cozinha respiram-se novos cheiros, recordam-se sabores inovadores e abrem-se as portas (finalmente) aos temperos exóticos que eu teimava em evitar. Entrámos numa nova fase gourmet.

quinta-feira, junho 26, 2008

Cebolada de Ana Moura

Hoje é noite de Ana Moura no Coliseu. Cheira-me que mal ela me caia no prato e cante aqueles fados que oiço repetidamente vou acabar por me debulhar em lágrimas como se estivesse a descascar uma cebola. Não é que seja uma lamechas… sou apenas uma cozinheira com elevado grau de sensibilidade! É uma repetição, mas adoro esta música.

quarta-feira, junho 25, 2008

Grelhada mista madrilena


Ingredientes:
1 vaca espanhola
1 porca cubana
1 cabra maltesa

Receita:
Fazer uma grelhada mista em Madrid não é coisa fácil. Mas nesta cozinha trabalham os melhores chefs e acabei por ser bem sucedida. Juntou-se uma cabra maltesa, uma vaca espanhola e uma porca cubana e houve um repasto memorável: costeletas de cabrita, entremeadas e uma bela picanha. Servimos a grelhada com muita diversão, bom-humor e, o melhor, uma boa pitada de amizade. Foi de rapar o prato ;)

quinta-feira, junho 19, 2008

Kinnie de bons momentos

Ingredientes:
1 viagem
500g de ervas aromáticas
gás fascinio

receita:
Nao se pode ir a Malta sem provar o famoso Kinnie, a bebida mais típica desta ilha que me deixou completamente fascinada. Os dias que passei por lá foram recheados de ervas muito aromáticas colhidas no melhor jardim desta ilha. Nao podia ter sido mais bem recebida, por ingredientes locais e estrangeiros que fizeram destes uns dos melhores dias da minha vida.
A minha primeira viagem sozinha (que continua ate a cozinha voltar a abrir na 2f) teve a presença de um gás poderoso que fez deste Kinnie uma bebida ainda mais especial. Um gás que me fez revirar os olhos e querer beber esta especialidade por muito tempo. Encontrei os ingredientes que sempre apreciei. E eles encontraram-me a mim. Vou voltar. Tenho a certeza.

quinta-feira, junho 12, 2008

Paixao refogada

Estar apaixonada é um refogado de emoçoes... mas eu adoro sentir-me assim. Se misturarmos num tacho sentimentos como o afecto a rodos, a ansiedade (em dose dupla), a alegria, a raiva cortada em pedacinhos de orgulho e a irracionalidade para temperar encontramos um belo refogado de paixao. Qualquer coisa como perder a mao para a cozinha e ficar com a cabeça às voltas, borboletas na barriga, maos a suar e o coraçao (o pobre do coraçao) descompassado. Por isso mesmo, neste Santo Antonio a minha cozinha está fechada. Ja la vao uns tempo em que nao tenho condiçoes para cozinhar.

sexta-feira, junho 06, 2008

Sardinha no pão

Continuando no peixe, as próximas duas semanas vão ser como uma sardinha no pão. Pequenas, mas saborosas. Imprevisíveis, porque pela primeira vez vou pôr a mochila às costas sozinha. Salgadas, porque o destino é uma ilha com mar pouco doce. Frescas, porque vou refrescar a mente. Típicas, porque antes vai haver Santo António.
Deitada numa fatia de pão ensopado de novidades, tenciono não pensar. Apenas viver… a crepitar na brasa!

Alcorraz na brasa

Na minha cozinha chega-se a uma conclusão: gostamos de peixes arrogantes. E nisto o Sr. Mourinho tem muito que se lhe diga. Como me diria um amigo meu: “Os setubalenses são a tua desgraça”. Os homens e os alcorrazes (peixinho típico de Setúbal).
Sempre gostei de peixes inteligentes. Mas depois de ver as últimas declarações do Mourinho confesso que a arrogância também faz parte das características que me atraem nas idas à praça. Vejam e digam se é ou não é um alcorraz de primeira!

sexta-feira, maio 30, 2008

Ovos moles na panela de pressão

Ingredientes:
kg a mais de ovos moles
1 lata de pilates
Caramelo qb

Receita:
Tal qual pudim flácido que estou, decidi ir experimentar a panela de pressão que são as aulas de pilates… a ver se consigo fazer cozer alguns dos meus ovos-moles. Custa mais do que eu estava à espera e hoje dói-me tudo: a farinha dos abdominais, o açúcar dos gémeos, a raspa de laranja dos ombros. Embora não tenha escorrido caramelo pela testa abaixo, acredito que fez algum resultado. Em breve serei um pudim Mandarin.

quinta-feira, maio 29, 2008

Com sabor a moscatel

Bebe-se um moscatel na Tasca do Chico enquanto se ouvem dois ou três fados. A chuva cai lá fora mas a noite desenrola-se em boa companhia. Conversas, muitas conversas. Como eu gosto disto.

Malagueta profissionais

A um dia profissional geralmente agitado junta-se meia-hora de criatividade e descompressão para escrever palavras salteadas num blogue interno do site de um conceituado ingrediente da imprensa nacional. “A vida de saltos altos” é o nome do novo blogue do Expresso e cheira-me que vai dar água pela barba…Vai haver malaguetas a contrariar uma imagem de seriedade. Muitas.

quarta-feira, maio 21, 2008

Prazeres refogados

Ao azeite pouco virgem junta-se um passeio picado por Alfama ao fim do dia, uma reflexão aromática num miradouro, um sorriso cúmplice maduro, um raminho de boas conversas, 100ml de um mazagran do Roayle, um pacote de planos divertidos e deixa-se apurar até as luzes da cidade começarem a acender-se. São estes prazeres da vida que cada vez mais aprecio. Os pequenos.

segunda-feira, maio 19, 2008

Brócolos canhotos

Ingredientes:
70kg de legumes
1 alho canhoto para saltear

Quando vou à praça, concluo que o olho me foge sempre para legumes com uma característica comum: são canhotos. Podia achar piada a brócolos que escrevem com a folha direita, mas acabo por pôr a saltear na minha frigideira aqueles que usam mais a rama esquerda. Há coincidências que dão que pensar. Esta nem por isso.

quarta-feira, maio 14, 2008

Petisco do dia

Porque é sempre bom relembrar os pratos dos melhores mestres. E porque agora até faz todo o sentido no meu livro de receitas.

segunda-feira, maio 12, 2008

Comida agridoce

Nunca fui fã de comida agridoce. Irrita-me não saber se é doce ou se é amarga. Ando há uns tempos parada em frente a uma travessa sem me decidir. Ainda não é hoje. Mas a vontade é de a mandar para o caixote. Amanhã se calhar já a vontade é outra. Aqui está o problema.

quarta-feira, maio 07, 2008

Salada de frutas na caravana

Chamam-se "The Guys from the Caravan" e cheira-me que vão ser um sucesso. Frescos como uma fatia de melão, intensos como uma bela laranja e simples como uma maçã das verdes. A música deles ouve-se com a leveza com que se come um saco de cerejas. Vi-os “sem querer” no Braço de Prata e fiquei fã. Ainda não têm cd lançado, mas, ou muito me engano, ou estes rapazes da caravana vão ser uma bela salada de frutas se avançarem com um disco este verão. Oiçam os "The Guys from the Caravan" no MySpace.

terça-feira, maio 06, 2008

Do universo “Pingo Doce” para o Espaço Gourmet

Nunca fui muito de me preocupar com dinheiro. Não sei bem como, mas os meus euros vão esticando milagrosamente ao longo dos últimos dois anos. Então porque decido falar nisto? Fácil: dou por mim a não ter a quantia necessária para chegar aos ingredientes que fazem falta ao actual cozinhado da minha vida.
Sempre fui fã dos produtos baratos (mas de qualidade). Sempre soube poupar e nunca fiz grandes extravagâncias gastronómicas. Mas agora é diferente. Há um condimento essencial ao meu prato que não pode ser adquirido num qualquer supermercado. Do universo “Pingo Doce” passei para o Espaço Gourmet. Um ingrediente simples, mas que sai inevitavelmente caro. E porque é que não abdico dele? Porque tentei abdicar e concluo que não consigo. Sinto falta do seu paladar agridoce e do cheiro aromático que deixava na minha cozinha. É nestas alturas que maldigo as horas que trabalho, sem retorno visível no meu mealheiro. Hoje sou uma cozinheira desanimada.

terça-feira, abril 29, 2008

Notas soltas sobre temperos

Na culinária da vida é tudo uma questão de sal e pimenta. Quando é de menos não satisfaz, quando é a mais pode ser perigoso. Encontrar a pitada certa revela-se uma tarefa só para os chefs mais competentes. A mim foge-me o dedo para o exagero.

segunda-feira, abril 28, 2008

Sopa da dieta amorosa

Ingredientes:
1 lata de alimentos a evitar
Um pacote de atracção
Sal de inevitabilidade

Receita:
Numa panela cheia de água junta-se sal da inevitabilidade e mexe-se bem. Junta-se o pacote de atracção e esquece-se definitivamente as leis da dieta amorosa.

A atracção é como uma dieta: os alimentos a evitar são aqueles que mais temos vontade de levar para casa. Dou por mim ao longo dos anos em constantes tentativas falhadas de dietas amorosas. Sei precisamente quais são os nutrientes que eu não queria na minha vida, mas é por eles que acabo sempre por ficar balançada.
Os legumes (calmos, ponderados, etc) estariam (e teoricamente estão) no topo de qualquer ementa de uma cozinheira como eu. A evitar: todos os alimentos complicados e imprevisíveis. Mas não será o constante factor surpresa/loucura um tempero deveras tentador? Concluo que sim.
Mais uma vez deixo o sumo natural de lado para beber um tinto que sempre disse que não ia gostar. Troco a fruta pelo doce. Em vez da sopa opto por um belo chouriço assado. Neste universo gastronómico da vida, onde no meio das minhas indecisões consigo ser a cozinheira mais decidida do mundo, sigo o lema que marca o constante novo rumo da minha ementa: “porque não?”.

quarta-feira, abril 23, 2008

Carcaça assanhada

Ingredientes:
2 carcaças
1 panini
500g de olhares intensos

Há coisas que não dão para compreender. Mal sabia eu que durante uma viagem desde Veneza até Padova corri o risco de ser presa… por assédio sexual! Como conseguir tirar os olhos de um belo “panini”, quando somos umas carcaças portuguesas deslumbradas com o charme que só em Itália se encontra?
Esta semana um homem foi condenado por “olhar intensamente” para uma mulher num comboio. Desde quando é que olhar tira pedaço? Sempre fui adepta da modalidade “manter os olhos bem abertos". E se bem me recordo, não os fechei por um minuto (nem eu nem a minha grande companheira de viagem) quando à nossa frente se sentou um verdadeiro “Zorro”. Moreno, sorriso aberto, cabelo preto desgrenhado e um vozeirão de fazer tremer as pernas a qualquer carcaça. Nenhum pão saloio chegaria aos pés deste exemplar vindo das melhores panificadoras italianas. Entre cotoveladas e olhos a revirar, fomos provavelmente discretas. Ainda bem. Por esta altura estariamos numa qualquer prisão italiana condenadas a prisão perpétua por não conseguir parar de “olhar intensamente” para as fardas della polizia…

terça-feira, abril 22, 2008

Iogurte de coco... para sempre

O iogurte de coco vai ser para sempre o meu iogurte preferido. Posso gostar muito do de morango, de vez em quando do de frutos tropicais. Mas o de coco ultrapassa tudo. Tal como a letra desta música. É a letra que mais me tocou até hoje. Perfeita em cada frase. Como se tivesse sido escrita para mim. Tal qual o aroma a coco.

sexta-feira, abril 18, 2008

Puré de batata doce

Ingredientes:
Mtos kgs de batata
1 lata de indecisão
Racionalidade para polvilhar

Receita:
Se eu fosse um alimento, nesta fase seria certamente uma batata… indecisa. Cheia de força dos hidratos de carbono, mas com uma tendência para me transformar em puré. Por mais que eu saiba que a batata cozida é a mais saudável, não consigo resistir a vestir a camada emocionalmente gordurosa da batata frita. Daquelas que sabem bem no momento, mas depois deixam um gosto amargo, embora misturado com uma vontade inexplicável de as voltar a comer.
Na minha horta as batatas nascem à distância. Vários terrenos separam as batatas da minha indecisão. Por mais que tente arrancar da terra aquelas que já lá não deviam estar, acabo por não conseguir mais do que dar-lhes uma leve mexida com a enxada da minha racionalidade.
Na minha cabeça permanecem como belas batatas recheadas, ideais para acompanhar os bifes do coração. Uma ilusão que certamente teria fim se eu no fundo não fosse uma pateta de uma batata doce.

terça-feira, abril 15, 2008

Falta de fome, cozinha na falência

É por estas e por outras que não faço dieta. Tenho muito amor às minhas regueifas e à vontade de comer. Sou uma pessoa saudável... e isto também faz parte do processo de remodelações.

segunda-feira, abril 14, 2008

Torradinhas caseiras

Se há comida que me faz sempre sentir em casa são umas belas torradinhas. Transportam-me para as tardes em casa da minha avó quando era pequena, para as manhãs de sábado a tomar o pequeno-almoço com a minha mãe, para as ceias com o meu irmão depois de noites de copos e claro, para os lanches com os amigos em dias de inverno.
Seja em carcaça ou em pão saloio, as torradas são uma parte de mim. E foi ao som de uma torradinha (de panrico, mas pronto...), que descobri uma banda. Chamam-se Of a Revolution, apropriado para esta era de remodelações. Estou viciada numa música - não tanto como em torradas - e achei que devia partilhar convosco. A letra tem muito daquilo que eu sinto: "I feel home,when I see the faces that remember my own.I feel home,when I'm chilling outside with the people I know". Oiçam-na aqui, chama-se "I feel home".

sexta-feira, abril 11, 2008

Em busca de novos sabores

Porquê comer frango cozido quando temos frango com caril disponível na ementa? Há alturas em que a vida merece ser saboreada com ingredientes coloridos e aromas mais picantes. É o que tenho andado a fazer.
Na minha cozinha deixou-se de recorrer exclusivamente à gastronomia tradicional. Entrámos numa descoberta pelos novos sabores. Mudámos a frigideira pelo wok, a pimenta foi substituída pelas malaguetas, o açúcar deu lugar ao pau de canela. O lume deixou de ser brando e aquece agora a temperaturas mais altas. As receitas deixaram de ser tiradas conforme indicações de um livro a passaram a ser feitas “a olho”. Concluo que a vida tem mais sabor assim. Passo número dois da remodelação.

quarta-feira, abril 09, 2008

Com um sorriso e uma música me despeço do tacho mais gasto do meu armário. As remodelações incluem a chegada de novos trens de cozinha. Passo número um.

terça-feira, abril 08, 2008

Remodelações na cozinha

Um dia vou cortar às rodelas os meus receios e agir por impulso em vez de pensar duas vezes. Um dia vou deixar de temperar a minha vida com aromas lamechas. Um dia vou perceber o verdadeiro significado da receita "tu és especial", tantas vezes ditas em momentos de vinha d'alhos. Um dia vou deixar de sentir saudades dos ingredientes que não fazem falta ao meu cozinhado. Um dia vou abrir as tampas da panela que fui deixando ficar em pressão. Um dia vou deixar de planear o menu e deixar os sabores surgirem conforme me apetecer. Hoje é o dia (como nos momentos Nicola!). A minha cozinha acabou de entrar em remodelações firmes. Qualquer dia inauguro o meu lado mais gourmet!

sexta-feira, abril 04, 2008

Gafanhotos fritos

Ingredientes:
1 saca de gafanhotos desafiadores
500g de risco
loucura qb

Receita:
Dentro de cada um de nós há lado louco que poucas vezes se revela. Um gosto pelo perigo, uma atracção inevitável pelo desconhecido. Como se estivéssemos a um passo de entrar num restaurante de comida totalmente diferente daquilo a que estamos habituados.
Se me dessem a provar gafanhotos fritos certamente diria que não. Mas no fundo ficava a pensar sobre qual seria o seu gosto ou textura. Há alturas na vida em que é preciso arriscar e comer os gafanhotos. Pelo gozo de o fazer. Pelo atrevimento de meter de lado ideias pré-concebidas. Pela aventura.
Tenho uma travessa de gafanhotos fritos num tabuleiro inesperadamente estendido na minha direcção. Arrisco ou não arrisco? Corro o risco de apanhar uma intoxicação. Quem sabe se até sou alérgica… Mas se calhar até lhes vou deitar a mão.

quarta-feira, abril 02, 2008

Cerejas com chantilly

Há uns dias dei um passeio por Alfama e dei por mim a sorrir com uma frase escrita em letras grande e tortas, numa parede: "Quero fazer contigo aquilo que a Primavera faz com as cerejeiras". (foto roubada do site do mal)
Já citamos Neruda em Alfama... somos um país de poetas, disso não há dúvida. Enquanto caminhava pelas ruelas deste bairro que tanto gosto não pude deixar de pensar nesta frase. No fundo eu também quero que alguém faça nascer a cereja que há em mim. Com bicho ou sem bicho, há uma cereja bem encarnada aos trambolhões com vontade de renascer. "Ora amarga, ora doce", como diria o Vítor Espadinha. Mas se a primavera aparecer entretanto, que traga uma dose de chantilly. Para me lambusar.

sexta-feira, março 28, 2008

Meditação na panela de pressão

Ingredientes:
1 saca de stress
500g de incensos
meditação qb

Depois de um dia cheio de correrias, telefonemas e muito stress (sim, e continuo de férias), decidi-me a experimentar uma actividade nova: meditação. Ainda envolta na minha panela de pressão diária, lá fui eu deitar-me numa sala cheia de incensos e gente desconhecida. A intenção era descobrir o meu animal interior. Ao som de um tambor lá comecei a abrir a tampa da minha panela de pressão e deixei sair o vapor do stress.
Entrei numa floresta densa e encontrei um lobo. Eu, que nem sequer sou muito chegada a cães, dei por mim a afagar-lhe a cabeça e dar um passeio com ele. Entrei numa gruta, fui dar a um precipício, assustei-me e fugi a correr desenfreadamente, vi um macaco, ouvi o mar... tudo isto em 20 minutos de meditação. Será que meditei? Não sei, mas a minha imaginação deu cartas!
Quanto ao lobo (explicaram-me que este é o animal da minha energia) significa liderança e independência. Pelos vistos sei muito bem o que quero da vida, disse-me o "instrutor". Posso andar em alcateia, mas sou una. E esta, hein?

quarta-feira, março 26, 2008

Reputação da chef

AQUI FICA UM PEDIDO URGENTE:
Alguém que me bata quando eu insistir em fazer figuras tristes quando tiro fotografias. A minha cozinha tem uma reputação a manter... e imagens como estas tiram a seriedade a qualquer chef que se preze!



Suspiros azedos

Sempre tive um problema com excesso de imaginação e as minhas noites são, na sua maioria, passadas numa correria de sonhos tão reais que chego a lembrar-me dos cheiros e das cores quando acordo. Mais uma vez fui enganada pelo meu sono. Um sonho talvez demasiado real. Como suspiros com demasiado açúcar e tanto corante que em vez de cor-de-rosa acabam por ficar vermelhos. Vermelhos como a paixão. Azedos como a saudade.

terça-feira, março 25, 2008

Bifes de leoba com pimenta

Conversa à mesa:
Parolo1 - Epah as mulheres hoje em dia são uma "leobas"!
Parola 2 - O quê? "Leobas"?
Parolo 1 - Sim... estão cada vez mais desinibidas...
Parola 2 - E isso é mau? Desinibidas como? Explica-te lá melhor...
Parolo 1 - Opah estão umas atiradas. Fazem tudo o que lhes apetece. Há comportamentos que nem parecem de uma mulher. Não sei explicar... se calhar estão demasiado independentes.
Parola 2 - E achas isso errado?
Parolo 1 - Às vezes parece que invertemos os papéis, é só isso.

Os homens estão a ficar com medo das mulheres. É uma constatação comum às várias "leobas" que me rodeiam. Ser independente é sinónimo de ameaça. Umas leoas na vida profissional e pelos vistos umas lobas na vida intima. Como diria alguém que também participou nesta conversa, "as mulheres só precisam dos homens para a parte afectiva". E isso assusta-os... é uma pena.

domingo, março 23, 2008

Maçã da Feira Popular

Receita:
Junta-se uma maçã com o caramelo da música mais cantada nos últimos dias. Deixa-se escorrer até ficar bem dociiiiiiiiiiiinha... como a maçã do amor da feira popular.

Maxibon... gelado de duas faces

O mal de parar é finalmente sobrar tempo para pensar. Demais. A minha vida é como um daqueles gelados da Camy, com dois lados diferentes... ambos aliciantes.
A verdade é que adoro o que faço profissionalmente. Por mais que as condições económicas tragam desmotivação, não há nada que pague a satisfação que sinto quando acordo para trabalhar. Este é o lado de gelado de baunilha envolto em chocolate crocante.
Por outro lado há projectos de realização pessoal que ficam empatados... o lado da bolacha de chocolate mole que faz sandwich ao gelado da minha vontade de meter a mochila às costas e embarcar naquilo que sempre foi um dos meus sonhos: voluntariado.
Quando vejo as notícias catastróficas que todos os dias invadem os jornais (e acreditem que tenho mesmo de as ver), há uma vozinha interior que insiste em gritar: Paulinha, está na hora de te dedicares ao mundo. Dou uma lambidela ao gelado dos meus pensamentos e continuo inerte sem me decidir.
A vontade de tirar seis meses para ir algures no mundo ajudar pessoas que precisam (nem que seja com um sorriso) roi-me a barriga. A falta de dinheiro para poder fazê-lo roi-me a carteira. Não quero mudar o mundo (nem mesmo eu acredito nisso, por mais idealista que seja), mas mudar o mundo de alguém isso sei que sou capaz. Não será concerteza agora, mas uma coisa é certa: um dia vou fazer-me à estrada.

quarta-feira, março 19, 2008

Amor agridoce

Hoje é dia do pai. Contra todas as expectativas, acabei por almoçar com o meu. Um piteu feito por mim, claro. Ao fim de tantos anos de incertezas, chegámos ao ponto agridoce da nossa relação. Nada mau, podem acreditar. Existe um amor incondicional e doce, mas ao mesmo tempo um abismo salgado dificil de transpôr. Talvez um dia nos transformemos numa massa uniforme. De bolo, espero eu. Mas por agora já tenho um sorriso... Este agridoce é um grande passo na minha panela.

Tempos de cozedura

Nos últimos três dias dormi sempre entre 12 a 14 horas seguidas... mesmo assim o meu cérebro ainda não está tenro o suficiente. Se eu tinha dúvidas quanto ao meu cansaço, estes recentes tempos de cozedura conseguiram elucidar-me.

terça-feira, março 11, 2008

Conversas na cozinha... em ponto pequeno

Tia Paulinha e Diogo à conversa na cozinha:

Tia - Mas conta-me lá, como se chama a tua namorada?
Diogo - Joana Fonseca.
Tia - Huummm e como é que ela é?
Diogo - Usa óculos… o resto é segredo!
Tia - Muito bem. Então e tu gostas muito dela?
Diogo - (um sim bem acentuado com a cabeça e mãozinhas nos bolsos)
Tia - E o que é vocês fazem? Já andam de mão dada?
Diogo - Claro… e damos beijinhos na boca.
Tia - E ela deixa?
Diogo - Ó tia, ela gosta!

Perante isto o que posso eu dizer? O meu sobrinho de seis anos consegue ter mais certezas sobre a sua vida amorosa do que muitos dos homens que eu conheço. E a namorada dele pelos vistos também. Afinal há esperança no futuro do país. Não estava preparada para isto.

segunda-feira, março 10, 2008

Compensan... geral

Depois de um fds memorável, uma segunda-feira de bradar aos céus. Ao acordar e sentir que a minha cabeça estava à beira de uma descompensação percebi que, por mais que não goste de forçar-me a parar, estava na altura de meter um travão. Párem o carrossel que eu já estou tonta. Chegou o momento de me sentar no banco... por uns dias. Se calhar nos últimos oito meses em que não o fiz devia ter percebido que o cérebro tem limites. O meu acabou de gritar. Zzzzzz

Tajine de amigos

Ingredientes:
Um molho de bons amigos
500g de boa-disposição
Moscatel para temperar

Receita:
Tempera-se o molho de amigos com o Moscatel. Salpica-se com 500g de boa-disposição e deixa-se cozinhar na Tajine durante um fds.

É incrível como um fim-de-semana com amigos nos pode rejuvenescer a alma em turbilhão. É incrível como simples actividades como dar um passeio na serra ou ir molhar os pés à praia em Março nos deixam um sorriso na cara. É também incrível a facilidade com que nos damos a conhecer e partilhamos o que nos vai cá dentro com pessoas que conhecemos há pouco tempo... mas que parece que sempre estiveram presentes na nossa vida. É incrível como fico sempre com saudades depois de um fds bem-passado... ao som da guitarra e regado com Moscatel. Mais incrível é a quantidade de comida que meia-dúzia de gatos pingados conseguem comer em dois dias. Já passaram 24h mas se tossir juro que corro o risco de me saltar da boca uma posta de corvina. É o que dá ser portuguesa de gema.

sábado, março 08, 2008

A alegria do vinho verde

Que posso dizer? Bryan Adams está igual a si mesmo. Durante uma hora cantou o que nós, fãs, quisémos. Como ele diria numa música que tanto gosto, foi uma "night to remember. Podia ve-lo mil vezes ao vivo que não me cansava. É como o vinho verde: posso ficar meio bebeda, mas não lhe resisto. Ontem foi assim:

sexta-feira, março 07, 2008

Algodão doce... para mim

Bryan Adams vai estar esta tarde no Maxime, para um concerto intismista. Eu vou lá estar , é claro. Vai ser a nona vez que o vejo ao vivo... mas tenho a certeza que mais uma vez me vou surpreender. Na minha cara vai estar um sorriso. Tal qual quando era pequena e me compravam algodão doce.

quinta-feira, março 06, 2008

Na fila do supermercado

Porque para se cozinhar é inevitável passar primeiro pela fila do supermercado. E esperar... que o mundo mude. Aqui fica um suspiro (cansado) de espera.

quarta-feira, março 05, 2008

Saltos altos com malaguetas

Sempre gostei de usar saltos altos. E afinal há um motivo válido para este esforço. É verdade que nem sempre dão jeito (quem já tentou correr para um autocarro a usar saltos sabe do que falo), consegue ser cansativo (ao fim de umas horas pode dar cabo das pernas de qualquer uma) e não são muito confortáveis (comparados com uns belos ténis, estes sapatos são um objecto de tortura). Mas pronto, são bonitos e dão-nos uma certa elegância.
Agora aqui vem a boa parte: um estudo divulgado na revista inglesa European Urology revela que "usar saltos altos pode facilitar o orgasmo". E mais nada! Ou pensavam que as mulheres eram apenas masoquistas?!

terça-feira, março 04, 2008

Crepes com amor e canela

Ingredientes:
500g de Paris
1 pau de canela
amor para polvilhar

Receita:
"O amor existe". Foi sob a influência desta afirmação nocturna (proferida num carro parado à porta de minha casa) que há uns dias embarquei para uma visita rápida a Paris.
Uma viagem de trabalho, com influências de pau de canela e polvilhada com amor em pó. Todo o cenário foi perfeito para um crepe doce. Aliás, se nos filmes Paris é vista como a cidade do romance, na prática a realidade parisiense não difere muito. Mas as regras da boa cozinha obrigaram-me a lavar as mãos de qualquer crepe acidental. Como diria alguém no meu regresso, "foste a Paris, viste a Torre Eiffel, mas não visitaste. És uma totó!".
Pois é, fiquei-me pelo Arco do Triunfo, por um crepe agridoce de despedida e por uma promessa de um manjerico em Junho.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

No saco das pipocas

Ingredientes:
Milho para pipocas
Sal, açúcar, caramelo e baunilha

A minha vida dava uma longa-metragem de Almodovar. Disso não há dúvidas. As minhas últimas semanas têm sido um verdadeiro saco de pipocas (para acompanhar a longa-metragem, claro).
Já comi de todas. Salgadas, daquelas que me deixam a boca seca mas que têm de ser engolidas ; doces, daquelas que são comidas com um sorriso do início ao fim ; com caramelo, daquelas que sei que vão ficar coladas aos dentes mas mesmo assim opto por uns segundos de prazer sem piscar os olhos ; com gosto a baunilha… porque quando a longa-metragem se avizinha dramática há sempre uns anjinhos da guarda que se revelam em forma de pipoca. A vida surpreende-nos. As pessoas também. E eu afinal vou descobrindo que também há várias pipocas dentro da minha própria maçaroca de milho.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Amendoim torrado

Uma breve nota para dizer que neste momento sou um amendoim torrado. Prestes a entrar em combustão. Estou cansada.
Não consigo pensar. Os assuntos passam pela minha cabeça a mil à hora sem que eu tenha oportunidade de pesquisar com calma sobre cada um. Preciso de férias. A minha cozinha também.

domingo, fevereiro 24, 2008

Panela de sonhos bem temperados

Na minha cozinha os sonhos sempre foram ingredientes indipensáveis. Uso e abuso. E ainda bem que assim é. Esta semana dei por mim a receber um telefonema daqueles que idealizei durante anos e anos durante os meus tempos de adolescente. "Hi, this is Bryan". Bastou uma frase para temperar todos os sonhos cozinhados em torno desta pessoa que, de um momento para o outro, saiu do pedestal de ídolo para se transformar apenas num profissional que me dá uma entrevista para divulgar o seu trabalho. Finalmente estivemos de igual para igual.
Tinha onze anos quando uma catástrofe familiar se abateu na minha casa. Há quem enfrente os problemas com drogas, com alcool, há quem fuja. Eu optei pela música. Viciei-me numa cassete cujo titulo era "So far so good". Aquelas músicas eram uma sessão de terapia. Tinha onze anos.
Talvez por isso a pancada em torno deste homenzinho baixinho e rouco permaneça até hoje. Como qualquer fã, idealizei conversas e momentos durante muitos anos. Sem dar conta, tudo isso se tornou realidade. E é esta capacidade de acreditar nos sonhos que me fascina. Mais uma vez a prova de que a vida surpreende-nos quando nós não vivemos no reino das impossibilidades. Eu acredito. Eu sonho (muito!). E a minha vida acaba por se temperar com os melhores temperos quando eu menos dou conta.
Para recordar uma das minhas preferidas de sempre... ao vivo em Lisboa.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Churrasco de embraiagem

Ingredientes:
1 embraiagem
Muito carvão

O meu "boguinhas" tem sido tão fiel como um velho tacho. Daqueles que já têm o fundo negro, algumas amolgadelas e a tampa não fecha como deve ser. No entanto, os cozinhados lá feitos têm sempre um gosto divinal.
Comprado por apenas mil euros, o "bogas" tem sido o meu tacho todo-o-terreno. Até ontem. Em plena CRIL decidiu que estava na altura de descansar. A embraiagem foi-se, diz o mecânico. Foi com um nó na garganta (e na carteira) que o vi subir para o reboque, com bilhete de volta ainda por determinar. Era noite de ir à ópera... mas acabei apeada numa bomba de gasolina, tal qual adereço do cenário caótico do pior dia de chuva que Lisboa enfrentou nos últimos meses. Como se tivesse acabado de sair de um churrasco, ficou-me durante umas horas entranhado no nariz o cheiro a queimado do meu pobre companheiro de tantas cowboyadas.
Voltei a andar a pé.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Chuva com duas pedras de gelo

Há algo de profundamente devastador na chuva que me deixa meio embriagada. Por um lado adoro o som da chuva. Adoro deixar que as gotas me molhem o cabelo e a cara como se estivesse a lavar a alma. Mas, se por um lado sinto uma paz esmagadora, por outro não consigo deixar de ficar devastada com pensamentos que me inundam de tristeza.
Esta noite acordei com a trovoada. Deixei-me ficar quieta na cama a ouvir aqueles rugidos do céu. Durante mais de uma hora não consegui adormecer. Pela minha mente passava um único pensamento: enquanto eu estava ali no escuro do casulo da minha cama, lá fora centenas de pessoas dormiam à chuva protegidas por um cartão ensopado. Um pensamento tão banal, mas ao mesmo tempo tão aterrador. Um dia um amigo disse-me: não te deixes sofrer com as dores do mundo. Mas a verdade é que não consigo evitá-lo. Às vezes gostava de ser menos “assim”.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Bifes do coração

Ingredientes:
300g de bifes
Paixão para temperar

Para um caranguejo o estômago pode ser algo de extremo romantismo. Há uma tendência natural nas pessoas deste signo para tentar agradar aos outros através de comida… seja com chocolates, rebuçados artesanais, bolos bem recheados ou até mesmo com bifes.
Sim, bifes. Há uns anos, no dia de São Valentim fui para a cozinha decidida a presentear a minha cara-metade da altura com um repasto gastronomicamente apaixonado. Fiz-lhe uns bifes recortados em forma de coração, com umas batatinhas em forma de flor. Uma trabalheira. Mas o efeito foi o desejado: um enorme sorriso e uma bela sobremesa com requintes de chantilly…
Este ano não vai haver bifes apaixonados no Dia do Namorados. Mas a noite promete ser passada em boa companhia… certamente regada por um bom tinto, da cor do meu coração.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Pezinhos de coentrada precários

Ingredientes:
2 pezinhos de coentrada
1l de vinagre da precariedade

Ficar com a sola do pé inchada e não conseguir andar sem coxear é muito desagradável. Mas pior que isso é ouvir o médico a ditar a sentença: “Você tem o osso do pé torto. Das duas uma: ou anda com umas palmilhas ortopédicas ou vai à faca”.
Fiquei-me pelas palmilhas, sabendo de antemão que não seriam uma cura. Um ano depois, a verdade é que os meus pezinhos de coentrada foram sendo regados com algum esforço diário e agora as cartilagens que antes até eram saborosas já não estão a satisfazer os meus clientes.
Na semana passada voltaram as dores. Insuportáveis, devo frisar. Deixei as botas e optei pelos ténis. Pus doses industriais de gelo e continuei a minha vidinha sem me queixar a ninguém… principalmente ao médico. É que graças à situação precária dos meus pezinhos de coentrada a recibos verdes, devo mais de dois anos à segurança social. Não tenho dinheiro para um seguro de saúde e pedir um empréstimo para “ir à faca” não soa lá muito bem. O que é certo é que as ditas palmilhas já não fazem efeito. E o médico também não tem outra solução. Mas por mais cebola e coentros que ponha nos meus pezinhos, o gosto a vinagrete da precariedade é o que mais se faz sentir na minha travessa. E quando isto afecta nossa saúde, não há tempero que consiga acalmar o azedume.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Fantasma da ópera com canela e gengibre

Ingredientes:
1 pirata vagabunda
1 fantasma da ópera
500g de canela e gengibre

Receita: Mistura-se a pirata na capa do fantasma da ópera e polvilha-se com uma dose extra de canela e gengibre até aquecer.

Há simples imagens que têm nos remetem para pensamentos carregados de doses industriais de canela e gengibre. Este Carnaval saí decidida a encontrar esta mistura bombástica que certamente me faria perder a compostura de cozinheira séria que tenho vindo a conquistar ao longo da minha vida.
Vestida a pirata, lá fui eu, de espada em punho, em busca de um homem de capa preta e máscara branca… o fantasma da ópera. É verdade, devo confessar que no reino das minhas fantasias mais “encaneladas”, esta é a personagem que mais me deixa com os sentidos em alerta. Não me perguntem porquê. Acho-o sensual e ponto final.
Encontrei vampiros, duendes, cowboys, zorros (também não é mau), napoleões e até motoqueiros. O fantasma da ópera mais um ano não apareceu. Portanto deixo aqui a mensagem: pirata vagabunda procura fantasma da ópera para relacionamento sério… cheio de canela e gengibre!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Biscoitos de boa-disposição

Porque adoro este filme. Porque estou num dia bem disposto. Porque também eu sou uma eterna "believer". Porque me apetece sorrir!

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Melão com presunto

Ingredientes:
1 talhada de melão
1 fatia de presunto
500g de ironia

Há certas alturas em que se diz convictamente: "tem tudo para dar certo". Seja por causa do destino, seja simplesmente por aquelas coisas ficarão garantidamente bem juntas. Tal como o melão e o presunto ou o pão e a manteiga.
No entanto, na minha vida nem sempre isto acontece. Revendo algumas das situações e pessoas que passaram por mim nos últimos anos, chego à conclusão que na grande maioria das vezes o que à partida “tinha tudo para encaixar” (outra expressão que adoro) acaba por sair tal qual uma massa de bolo mal batida que fica aos grumos.
Como se eu fosse uma fatia de melão, mas o presunto fosse daquele que parece perfeito mas afinal até estava mal curado. Ou como se eu fosse um bom bife do lombo, mas as batatas, que pareciam um perfeito acompanhamento, estavam afinal fritas demais. Tudo isto me faz lembrar de uma música que ouvia insistentemente há uns 13 anos atrás. “Ironic”, da Alanis Morissete. Irónico ou não, afinal, contra todas as expectativas, não tinha tudo para dar certo. Talvez noutra altura. Noutra talhada de melão.

domingo, janeiro 27, 2008

Quente e bom...

Que eu tenho uma boa relação com a comida não é novidade. Agora que a comida também está ligeiramente obcecada em meter-se no meu caminho é outra verdade. Fui perseguida. Dentro do espírito de vida saudável que tenho tentado levar, decidi experimentar uma aula de body combat. Em boa companhia, lá fui eu, pronta para bater em todas as frustrações dos últimos tempos. No meio de quase cem pessoas saltei, esmurrei, gritei, ri e suei como se não houvesse amanhã. Finda a aula, ouvi o professor gritar: "a menina de verde venha cá!" E lá estava ela... a comida a perseguir-me quando tudo o que eu queria era mandar abaixo umas quantas gramas das minhas regueifas. Sem perceber muito bem como, ganhei o prémio da aluna mais esforçada da aula. E qual era o prémio? Agora vão perceber: 20 euros em comida no café Quente&Bom... com um nome destes quem é pode resistir aos doces prazeres da gula? A fome aperta, isso é uma realidade.
Fica-me uma dúvida: será que o professor simplesmente engraçou com a minha t-shirt (que levei propositadamente para gozar com aquelas criaturas que vivem para o culto do corpo) ou será que a comida está decidida a perseguir-me tal qual uma louca obsessivamente apaixonada? Como diria alguém que eu conheço... Medo, muito medo!