quarta-feira, agosto 01, 2012

Ovos estrelados de verão

Chegámos a agosto, como manda a tradição: com calor! Mas na minha cozinha, ficar a estrelar na praia só mesmo daqui a quase dois meses... até lá, vou imaginando como seria estar de papo (seco) para o ar, enquanto vou cozendo a minha caixa de ovos embrulhada em trabalho. Muito trabalho.


segunda-feira, julho 30, 2012

sexta-feira, julho 27, 2012

Franga ao sal

Se há três coisas que conseguem ajudar à descontracção na minha cozinha, são os bons petiscos, boa música e muito mar. Por isso mesmo, a proposta gastronómica deste fim de semana é soltar a franga, enrolada numas belas ondas cheias de sal, aromatizadas por boa companhia e muita dança. E o meu estomago voltará a sorrir, tenho a certeza.




quarta-feira, julho 25, 2012

Verdades gastronómicas

E se, de repente, concluirmos que a verdade gastronómica em que baseámos grande parte da nossa culinária da vida é, no fundo, uma falsa verdade? Vou desligar o fogão, tirar o avental e tentar perceber o sabor que fica na boca.


quarta-feira, julho 18, 2012

Secretos

Secretos. Suculentos, daqueles que se desfazem na boca, mas cujo sabor perdura. Secretos daqueles em forma de mãos dadas. De corpos entrelaçados a dormir, na urgência de sentir. De beijos, mil beijos sem pensar. De corações deliciosamente pirosos desenhados no espelho da casa-de-banho. De noites de sofá e manta só pelo prazer de estarmos os dois. Fosse onde fosse. Secretos de passeios à beira mar. De pequenos-almoços na cama. De jantares à luz da vela. De danças espontâneas bochecha com bochecha. Secretos de amor. De confiança. De chamar “amor” a alguém sem pudores. De dizer “amo-te” em recados rabiscados, em sms que nunca são apagados, de manhã, à noite, na entrada, no prato principal e na sobremesa.

Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria.  Mas valeu a pena a espera.


quinta-feira, junho 28, 2012

Cozinha de fusão



São dez da noite. Sob as luzes amarelas das claras em castelo lá do alto da minha cidade, percorro aquela enorme cozinha de fusão, com a curiosidade acumulada nos sentidos. Gosto da mistura da batata doce, com os noodles  e o feijão preto. Gosto ainda mais da mistura de todos esses sabores com as sardinhas e as bifanas da minha terra. Todos em harmonia, porque naquele momento a noite – e a música – convida à festa. Sento-me a observá-los na sua deliciosa espontaneidade grosseira, durante um bom bocado. Há poesia na decadência daqueles corpos que se mexem ao ritmo de uma batedeira que está a dar as últimas. Os olhares furtivos, os risos gulosos, o dedo que parece estar a molhar no molho só para provar. Quem sabe para tantar comer mais tarde. E embora eu não pertença àquele cozinhado, não deixo de saborear os seus temperos. Não há felicidade, mas há vida. E é disso que a (minha) cozinha vive.

quarta-feira, maio 30, 2012

Receita para viver um grande amor


"Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?"

Vinicius de Moraes


terça-feira, maio 22, 2012

Papas de aveia



Os anos passam pela cozinha e as papas de aveia. que em tempos eram prato saudável e essencial ao crescimento, ganham um sabor diferente. Mantém-se o leite, o açúcar, até mesmo a canela, mas a aveia desgastou-se no boião. O boião que foi sendo aberto e fechado, sujeito às colheres e às mãos, às variações de temperatura da cozinha, às correntes de ar. E ao pó.
Desligo o fogão. Faço mais uma papa e sento-me. À espera que, uma vez que seja, alguém perceba que, de vez em quando, preciso que me dêem um bocadinho da papa à boca. 


sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Juntar frigideiras e panelas

Houve alturas em que na minha cozinha estavam tachos a mais. Demasiado barulho, cheiros e sabores que não tinham harmonia. Mudei-me para outra e comecei a cozinhar sozinha. E, por algum tempo, soube bem. Muito bem. Diria mesmo que essencial. Mas cozinhar apenas para um não faz sentido e isso só percebi quando à mesa se começaram a juntar dois pratos. Com saborosa regularidade. “Cozinhar é um ato de amor”, escreveu Mia Couto e leu-se por aqui um dia. E misturar a única frigideira que sobreviveu à minha cozinha vazia, com um trem de panelas que tem também muito amor para levar ao lume, nunca me fez tanto sentido. Uma nova cozinha aguarda-nos. E eu volto a ter vontade de cozinhar. Amor.