Porque há ruas onde tudo ganha um novo paladar.
Onde sabores se misturam num só e mudam o rumo de toda a culinária da vida. Onde sabe sempre bem voltar.
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sexta-feira, agosto 10, 2012
quinta-feira, agosto 09, 2012
segunda-feira, julho 30, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
Franga ao sal
Se há três coisas que conseguem ajudar à descontracção na minha cozinha, são os bons petiscos, boa música e muito mar. Por isso mesmo, a proposta gastronómica deste fim de semana é soltar a franga, enrolada numas belas ondas cheias de sal, aromatizadas por boa companhia e muita dança. E o meu estomago voltará a sorrir, tenho a certeza.
quarta-feira, julho 25, 2012
quarta-feira, julho 18, 2012
Secretos
Secretos. Suculentos, daqueles que se desfazem na boca, mas cujo sabor perdura. Secretos daqueles em forma de mãos dadas. De corpos entrelaçados a dormir, na urgência de sentir. De beijos, mil beijos sem pensar. De corações deliciosamente pirosos desenhados no espelho da casa-de-banho. De noites de sofá e manta só pelo prazer de estarmos os dois. Fosse onde fosse. Secretos de passeios à beira mar. De pequenos-almoços na cama. De jantares à luz da vela. De danças espontâneas bochecha com bochecha. Secretos de amor. De confiança. De chamar “amor” a alguém sem pudores. De dizer “amo-te” em recados rabiscados, em sms que nunca são apagados, de manhã, à noite, na entrada, no prato principal e na sobremesa.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
quarta-feira, maio 30, 2012
Receita para viver um grande amor
"Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?"
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?"
Vinicius de Moraes
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Vinicius de Moraes
terça-feira, maio 22, 2012
Papas de aveia
Os anos passam pela cozinha e as papas de aveia. que em
tempos eram prato saudável e essencial ao crescimento, ganham um sabor
diferente. Mantém-se o leite, o açúcar, até mesmo a canela, mas a aveia
desgastou-se no boião. O boião que foi sendo aberto e fechado, sujeito às
colheres e às mãos, às variações de temperatura da cozinha, às correntes de ar.
E ao pó.
Desligo o fogão. Faço mais uma papa e sento-me. À espera que,
uma vez que seja, alguém perceba que, de vez em quando, preciso que me dêem um
bocadinho da papa à boca.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Juntar frigideiras e panelas
Houve alturas em que na minha cozinha estavam tachos a mais. Demasiado barulho, cheiros e sabores que não tinham harmonia. Mudei-me para outra e comecei a cozinhar sozinha. E, por algum tempo, soube bem. Muito bem. Diria mesmo que essencial. Mas cozinhar apenas para um não faz sentido e isso só percebi quando à mesa se começaram a juntar dois pratos. Com saborosa regularidade. “Cozinhar é um ato de amor”, escreveu Mia Couto e leu-se por aqui um dia. E misturar a única frigideira que sobreviveu à minha cozinha vazia, com um trem de panelas que tem também muito amor para levar ao lume, nunca me fez tanto sentido. Uma nova cozinha aguarda-nos. E eu volto a ter vontade de cozinhar. Amor.
sexta-feira, novembro 25, 2011
Massa caseira quebrada
Não há segredos: tudo se resume a horas a amassar e eu sei disso à partida, muito antes de sequer acender a luz da cozinha e vestir o velhinho avental. Deparo-me mais uma vez num duelo, frente a frente com a bancada onde perduram pedaços de massas antigas que foram ficando ressequidas com o tempo, mas que nenhum dos meus esfregões consegue limpar. Sei que nunca terei uma bancada imaculada, mas também não duvido dos belíssimos petiscos a que ali ainda darei sabor.
Despejo a farinha e deixo-a cair como chuva à minha frente. O dia lá fora também não é de sol. Junto-lhe a água, que deixo escorrer num pequeno fio apenas para ouvir aquele som que me faz sempre fechar os olhos e inspirar fundo. Por fim, retiro a manteiga do frigorífico e faço o que posso para misturar a sua consistência rija. Amasso, amasso, amasso. Vejo os minutos, que parecem horas, a passarem lentamente. E eu simplesmente deixo-me ficar a amassar em silêncio, socando as angústias eternamente guardadas no pacote da farinha. Não há outra forma de o fazer. E eu, que ainda achava que sim, volto ao velho silêncio que há muito não tornava tão ruidosos os ponteiros do meu relógio da vida.
Ponho as mãos naquela mistura crua e amassada que se cola à minha pele como se dela fizesse parte, sabendo que, na realidade, nunca deixou de fazer. Também sei que, por mais que amasse, ela nunca sairá quebrada. Nunca saiu. Mas mais uma vez deixo-me ficar exausta até chegar a esta conclusão.
Despejo a farinha e deixo-a cair como chuva à minha frente. O dia lá fora também não é de sol. Junto-lhe a água, que deixo escorrer num pequeno fio apenas para ouvir aquele som que me faz sempre fechar os olhos e inspirar fundo. Por fim, retiro a manteiga do frigorífico e faço o que posso para misturar a sua consistência rija. Amasso, amasso, amasso. Vejo os minutos, que parecem horas, a passarem lentamente. E eu simplesmente deixo-me ficar a amassar em silêncio, socando as angústias eternamente guardadas no pacote da farinha. Não há outra forma de o fazer. E eu, que ainda achava que sim, volto ao velho silêncio que há muito não tornava tão ruidosos os ponteiros do meu relógio da vida.
Ponho as mãos naquela mistura crua e amassada que se cola à minha pele como se dela fizesse parte, sabendo que, na realidade, nunca deixou de fazer. Também sei que, por mais que amasse, ela nunca sairá quebrada. Nunca saiu. Mas mais uma vez deixo-me ficar exausta até chegar a esta conclusão.
E desligo a luz para descansar, sem conseguir lavar o balcão.
quarta-feira, novembro 23, 2011
Talhadas de melancia

É uma fruta de uma simplicidade tão grande, que se torna complexa. Que nos refresca todos os sentidos, que nos aquece os cantos da boca que não se cansa de a trincar repetidamente, com toda a urgência mas sem a ansiedade de outros frutos de gula. Leve para o estômago, tem também activos poderes nas questões de circulação no coração. É sumarenta, com aquele tipo de sumo que nos escorre pelo queixo e se cola à pele de uma forma tão natural, mas que dificilmente de lá sairá. E eu, que descobri finalmente as maravilhas de se andar lambuzada de melancia, não tenciono usar o guardanapo.
terça-feira, novembro 01, 2011
quarta-feira, setembro 21, 2011
Caril de amor
"Ela vale tudo para mim. Tornou-se na razao da minha vida. Vou casar por amor"
O caril, de uma casta mais baixa de ingredientes que a da sua amada, sorria enquanto me contava isto com todo o seu entusiasmo. Nao havia pitada de picante nas suas palavras. Mas deixou-me a alma a arder.
Em plena India apercebo-me (mais uma vez) que nem todas as cozinhas tem o direito a amar. E que quem o tem, esquece-se (demasiadas vezes) da sua importancia. Eu nao vou esquecer.
Em plena India apercebo-me (mais uma vez) que nem todas as cozinhas tem o direito a amar. E que quem o tem, esquece-se (demasiadas vezes) da sua importancia. Eu nao vou esquecer.
Prometo a mim mesma.
segunda-feira, agosto 22, 2011
Salada de folhas renascidas
"AHORA me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin mí.
Ahora se acostumbren sin mí.
Yo voy a cerrar los ojos
Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.
cinco raices preferidas.
Una es el amor sin fin.
Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.
En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.
redondo como una sandía.
La quinta cosa son tus ojos,
Amor mío, bienamado,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.
Amor mío, bienamado,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.
Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.
Es casi nada y casi todo.
Ahora si quieren se vayan.
He vivido tanto que un día
tendrán que olvidarme por fuerza,
borrándome de la pizarra:
mi corazón fue interminable.
tendrán que olvidarme por fuerza,
borrándome de la pizarra:
mi corazón fue interminable.
Pero porque pido silencio
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.
Sucede que soy y que sigo.
No será, pues, sino que adentro
de mí crecerán cereales,
primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,
pero la madre tierra es oscura:
y dentro de mí soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.
de mí crecerán cereales,
primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,
pero la madre tierra es oscura:
y dentro de mí soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.
Se trata de que tanto he vivido
que quiero vivir otro tanto.
que quiero vivir otro tanto.
Nunca me sentí tan sonoro,
nunca he tenido tantos besos.
nunca he tenido tantos besos.
Ahora, como siempre, es temprano.
Vuela la luz con sus abejas.
Vuela la luz con sus abejas.
Déjenme solo con el día.
Pido permiso para nacer."
Pido permiso para nacer."
de Pablo Neruda
quarta-feira, julho 27, 2011
segunda-feira, julho 25, 2011
Carne de porco à la Pauliteira
É difícil resistir-lhe: o porco tem os seus encantos.
Não é que seja obrigatoriamente bonito. Mas seja no lombo, nos pezinhos, nas bochechas, nas orelhas… É inegável o seu gosto guloso. Daqueles que nos faz ficar com os cantos da boca gordurosos, salgados, com vontade de lamber até à última réstia de sabor.
Contudo, não se pode confiar na sua aparência consistente, algo que só se aprende ao fim de muitas queimadelas no churrasco da vida. O porco é porco. E sempre o será. Faz parte da sua essência e não somos nós que, ao degustá-lo nas delícias que nunca passarão do espeto, o vamos mudar. Ele será sempre prejudicial para o nosso estômago, pele, artérias. E coração.
Ainda não me fartei dos galos do campo, mas para porcos já não há espaço. Já tive a minha dose.
Não é que seja obrigatoriamente bonito. Mas seja no lombo, nos pezinhos, nas bochechas, nas orelhas… É inegável o seu gosto guloso. Daqueles que nos faz ficar com os cantos da boca gordurosos, salgados, com vontade de lamber até à última réstia de sabor.
Contudo, não se pode confiar na sua aparência consistente, algo que só se aprende ao fim de muitas queimadelas no churrasco da vida. O porco é porco. E sempre o será. Faz parte da sua essência e não somos nós que, ao degustá-lo nas delícias que nunca passarão do espeto, o vamos mudar. Ele será sempre prejudicial para o nosso estômago, pele, artérias. E coração.
Ainda não me fartei dos galos do campo, mas para porcos já não há espaço. Já tive a minha dose.
segunda-feira, julho 18, 2011
Fast food

Vivemos na era da comida de plástico. Da que se come porque dá mais jeito assim… é mais rápida, está mesmo ali à mão, não dá trabalho a cozinhar, nem traz surpresas no tempero. Pode não nos fazer revirar os olhos de prazer, mas é confortável para o estômago: fá-lo sentir cheio.
A mim isso não me chega. Não me alimenta (a alma). Por muitos dissabores que tenha, na minha culinária da vida não há espaço para menos do que comida gourmet. Que não significa ser caviar…. Muito pelo contrário. Tão pelo contrário.
Acima de tudo opto por ser gourmet comigo mesma. Com os meus valores, com os meus sonhos em castelo. "A fast food mata", não tenho dúvidas. A vida.
A mim isso não me chega. Não me alimenta (a alma). Por muitos dissabores que tenha, na minha culinária da vida não há espaço para menos do que comida gourmet. Que não significa ser caviar…. Muito pelo contrário. Tão pelo contrário.
Acima de tudo opto por ser gourmet comigo mesma. Com os meus valores, com os meus sonhos em castelo. "A fast food mata", não tenho dúvidas. A vida.
quarta-feira, julho 13, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
A refeição completa
Há poucos dias, alguém que muito admiro disse-me: "não queiras menos do que a refeição completa". Olho para os últimos 30 anos da sua culinária da vida e vislumbro aquilo que eu tento a todo o custo esconder. Refogados à parte, na realidade é isto que eu quero. Simplesmente isto:
quinta-feira, junho 16, 2011
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