segunda-feira, julho 30, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
Franga ao sal
Se há três coisas que conseguem ajudar à descontracção na minha cozinha, são os bons petiscos, boa música e muito mar. Por isso mesmo, a proposta gastronómica deste fim de semana é soltar a franga, enrolada numas belas ondas cheias de sal, aromatizadas por boa companhia e muita dança. E o meu estomago voltará a sorrir, tenho a certeza.
quarta-feira, julho 25, 2012
quarta-feira, julho 18, 2012
Secretos
Secretos. Suculentos, daqueles que se desfazem na boca, mas cujo sabor perdura. Secretos daqueles em forma de mãos dadas. De corpos entrelaçados a dormir, na urgência de sentir. De beijos, mil beijos sem pensar. De corações deliciosamente pirosos desenhados no espelho da casa-de-banho. De noites de sofá e manta só pelo prazer de estarmos os dois. Fosse onde fosse. Secretos de passeios à beira mar. De pequenos-almoços na cama. De jantares à luz da vela. De danças espontâneas bochecha com bochecha. Secretos de amor. De confiança. De chamar “amor” a alguém sem pudores. De dizer “amo-te” em recados rabiscados, em sms que nunca são apagados, de manhã, à noite, na entrada, no prato principal e na sobremesa.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
quinta-feira, junho 28, 2012
Cozinha de fusão
São dez da
noite. Sob as luzes amarelas das claras em castelo lá do alto da minha cidade, percorro
aquela enorme cozinha de fusão, com a curiosidade acumulada nos sentidos. Gosto
da mistura da batata doce, com os noodles e o feijão preto. Gosto ainda mais da mistura
de todos esses sabores com as sardinhas e as bifanas da minha terra. Todos em
harmonia, porque naquele momento a noite – e a música – convida à festa.
Sento-me a observá-los na sua deliciosa espontaneidade grosseira, durante um
bom bocado. Há poesia na decadência daqueles corpos que se mexem ao ritmo de
uma batedeira que está a dar as últimas. Os olhares furtivos, os risos gulosos,
o dedo que parece estar a molhar no molho só para provar. Quem sabe para tantar comer
mais tarde. E embora eu não pertença àquele cozinhado, não deixo de saborear os
seus temperos. Não há felicidade, mas há vida. E é disso que a (minha) cozinha vive.
quarta-feira, maio 30, 2012
Receita para viver um grande amor
"Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?"
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?"
Vinicius de Moraes
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Vinicius de Moraes
terça-feira, maio 22, 2012
Papas de aveia
Os anos passam pela cozinha e as papas de aveia. que em
tempos eram prato saudável e essencial ao crescimento, ganham um sabor
diferente. Mantém-se o leite, o açúcar, até mesmo a canela, mas a aveia
desgastou-se no boião. O boião que foi sendo aberto e fechado, sujeito às
colheres e às mãos, às variações de temperatura da cozinha, às correntes de ar.
E ao pó.
Desligo o fogão. Faço mais uma papa e sento-me. À espera que,
uma vez que seja, alguém perceba que, de vez em quando, preciso que me dêem um
bocadinho da papa à boca.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Juntar frigideiras e panelas
Houve alturas em que na minha cozinha estavam tachos a mais. Demasiado barulho, cheiros e sabores que não tinham harmonia. Mudei-me para outra e comecei a cozinhar sozinha. E, por algum tempo, soube bem. Muito bem. Diria mesmo que essencial. Mas cozinhar apenas para um não faz sentido e isso só percebi quando à mesa se começaram a juntar dois pratos. Com saborosa regularidade. “Cozinhar é um ato de amor”, escreveu Mia Couto e leu-se por aqui um dia. E misturar a única frigideira que sobreviveu à minha cozinha vazia, com um trem de panelas que tem também muito amor para levar ao lume, nunca me fez tanto sentido. Uma nova cozinha aguarda-nos. E eu volto a ter vontade de cozinhar. Amor.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
sexta-feira, novembro 25, 2011
Massa caseira quebrada
Não há segredos: tudo se resume a horas a amassar e eu sei disso à partida, muito antes de sequer acender a luz da cozinha e vestir o velhinho avental. Deparo-me mais uma vez num duelo, frente a frente com a bancada onde perduram pedaços de massas antigas que foram ficando ressequidas com o tempo, mas que nenhum dos meus esfregões consegue limpar. Sei que nunca terei uma bancada imaculada, mas também não duvido dos belíssimos petiscos a que ali ainda darei sabor.
Despejo a farinha e deixo-a cair como chuva à minha frente. O dia lá fora também não é de sol. Junto-lhe a água, que deixo escorrer num pequeno fio apenas para ouvir aquele som que me faz sempre fechar os olhos e inspirar fundo. Por fim, retiro a manteiga do frigorífico e faço o que posso para misturar a sua consistência rija. Amasso, amasso, amasso. Vejo os minutos, que parecem horas, a passarem lentamente. E eu simplesmente deixo-me ficar a amassar em silêncio, socando as angústias eternamente guardadas no pacote da farinha. Não há outra forma de o fazer. E eu, que ainda achava que sim, volto ao velho silêncio que há muito não tornava tão ruidosos os ponteiros do meu relógio da vida.
Ponho as mãos naquela mistura crua e amassada que se cola à minha pele como se dela fizesse parte, sabendo que, na realidade, nunca deixou de fazer. Também sei que, por mais que amasse, ela nunca sairá quebrada. Nunca saiu. Mas mais uma vez deixo-me ficar exausta até chegar a esta conclusão.
Despejo a farinha e deixo-a cair como chuva à minha frente. O dia lá fora também não é de sol. Junto-lhe a água, que deixo escorrer num pequeno fio apenas para ouvir aquele som que me faz sempre fechar os olhos e inspirar fundo. Por fim, retiro a manteiga do frigorífico e faço o que posso para misturar a sua consistência rija. Amasso, amasso, amasso. Vejo os minutos, que parecem horas, a passarem lentamente. E eu simplesmente deixo-me ficar a amassar em silêncio, socando as angústias eternamente guardadas no pacote da farinha. Não há outra forma de o fazer. E eu, que ainda achava que sim, volto ao velho silêncio que há muito não tornava tão ruidosos os ponteiros do meu relógio da vida.
Ponho as mãos naquela mistura crua e amassada que se cola à minha pele como se dela fizesse parte, sabendo que, na realidade, nunca deixou de fazer. Também sei que, por mais que amasse, ela nunca sairá quebrada. Nunca saiu. Mas mais uma vez deixo-me ficar exausta até chegar a esta conclusão.
E desligo a luz para descansar, sem conseguir lavar o balcão.
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