Só quem nunca teve a sorte de as comer é que pode dizer que este pão é artificial. Torradas de Panrico bem tostadas do sol, com um
bocadinho da manteiga derretida do meu coração em cima e uma dose de doçura de morango, para arrematar, são de comer e chorar por mais. Salpicado pelo sal do mar ou pelas Estrelitas dessa
grande tijela que é o céu no meio do campo, o pão de forma é a comida oficial
deste verão. Porque andar com o pé na estrada faz bem ao estomago.
segunda-feira, agosto 06, 2012
sexta-feira, agosto 03, 2012
Tinto Ilógico
“Forte, intenso, provocador, potente, garrido”, li no blogue de um escanção. Chama-se Ilógico
e é natural da margem sul do rio. Com aroma de frutos vermelhos, é um tinto
encorpado, com boa acidez e elegância. Muita elegância. Envolve-me com a sua consistência, com o travo inconfundivel que
apetece ao almoço, ao jantar, à ceia. A qualquer hora do dia. O seu gosto perdura na língua e é impossível beber só um copo. A minha boca pede a
garrafa toda. Sem pudores. E a cada trago que bebo diariamente, sinto-me
mulher. Chico Buarque explica porquê:
quinta-feira, agosto 02, 2012
Mel e piripiri
O segredo
para elaborar um prato docemente picante até é simples: dedicação, imaginação e
seriedade, em doses talvez ainda maiores do que as usadas noutros temperos. E
este tempero, com sabor a mulheres e sexo, demorou muito tempo a fazer. Porque não é no microondas que se fazem refeições sobre a vida real.
Na realidade, foram
precisas muitas horas a ouvir, a anotar e a escrever histórias. Depois foi
preciso cozinhá-las em lume brando, sempre a mexer até conseguir chegar a uma
consistência que fizesse jus ao sabor condutor intenso da vida de uma mulher,
que acabava por contar as peripécias de tantas outras. Cozinheiras da vida como
eu. Como vocês, mulheres, que estejam a ler isto. Filhas, mães, avós, amigas,
conhecidas, colegas, casadas, solteiras, enamoradas, amantizadas, tímidas,
ousadas, discretas, espampanantes. Mulheres reais. Com mel e piripiri.
Nunca tinha
escrito sobre esta sopa de letras picantes (e não só) por aqui, mas o verão
chegou à cozinha e achei por bem deixar a sugestão de leitura gulosa. Diretamente
do meu fogão para as vossas lancheiras de férias: "Os Segredos da Maleta Vermelha".
"Abra a maleta e venha espreitar um mundo feito de mel e piripiri que rompe com
falsos mitos, onde cabem histórias reais de gente empreendedora,
algumas gargalhadas e muito prazer sem complexos"
falsos mitos, onde cabem histórias reais de gente empreendedora,
algumas gargalhadas e muito prazer sem complexos"
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quarta-feira, agosto 01, 2012
Pizza com sabor a Oriente
Por falar em verão e férias, a minha cozinha começou a cheirar a lahmacun. É feita no forno a lenha, leva molho de tomate e carne picada, mas não tem nada de italiana. Parece uma pizza, mas não é. Pode também parecer, à partida, bem ocidental, mas no fundo tem um paladar mais do oriente. E consta que é uma das iguarias que vai passar pelo meu menu quando fizer a minha merecida pausa anual. Lá para os lados da Turquia.
Penso nisto enquanto folheio o livro de receitas turcas e concluo que gosto destes pratos onde nem tudo é o que parece e os sabores se misturam lentamente após se darem a conhecer. Porque na culinária da vida, os melhores pratos são aqueles que se vão descobrindo aos poucos. Com avidez constante.
segunda-feira, julho 30, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
Franga ao sal
Se há três coisas que conseguem ajudar à descontracção na minha cozinha, são os bons petiscos, boa música e muito mar. Por isso mesmo, a proposta gastronómica deste fim de semana é soltar a franga, enrolada numas belas ondas cheias de sal, aromatizadas por boa companhia e muita dança. E o meu estomago voltará a sorrir, tenho a certeza.
quarta-feira, julho 25, 2012
quarta-feira, julho 18, 2012
Secretos
Secretos. Suculentos, daqueles que se desfazem na boca, mas cujo sabor perdura. Secretos daqueles em forma de mãos dadas. De corpos entrelaçados a dormir, na urgência de sentir. De beijos, mil beijos sem pensar. De corações deliciosamente pirosos desenhados no espelho da casa-de-banho. De noites de sofá e manta só pelo prazer de estarmos os dois. Fosse onde fosse. Secretos de passeios à beira mar. De pequenos-almoços na cama. De jantares à luz da vela. De danças espontâneas bochecha com bochecha. Secretos de amor. De confiança. De chamar “amor” a alguém sem pudores. De dizer “amo-te” em recados rabiscados, em sms que nunca são apagados, de manhã, à noite, na entrada, no prato principal e na sobremesa.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
Demorei muito tempo até conseguir assumir a mim mesma que gostava de gostar destes secretos. Que eram tudo o que eu queria. Mas valeu a pena a espera.
quinta-feira, junho 28, 2012
Cozinha de fusão
São dez da
noite. Sob as luzes amarelas das claras em castelo lá do alto da minha cidade, percorro
aquela enorme cozinha de fusão, com a curiosidade acumulada nos sentidos. Gosto
da mistura da batata doce, com os noodles e o feijão preto. Gosto ainda mais da mistura
de todos esses sabores com as sardinhas e as bifanas da minha terra. Todos em
harmonia, porque naquele momento a noite – e a música – convida à festa.
Sento-me a observá-los na sua deliciosa espontaneidade grosseira, durante um
bom bocado. Há poesia na decadência daqueles corpos que se mexem ao ritmo de
uma batedeira que está a dar as últimas. Os olhares furtivos, os risos gulosos,
o dedo que parece estar a molhar no molho só para provar. Quem sabe para tantar comer
mais tarde. E embora eu não pertença àquele cozinhado, não deixo de saborear os
seus temperos. Não há felicidade, mas há vida. E é disso que a (minha) cozinha vive.
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