
Quando tenho a certeza que um bife é saboroso bato-o exaustivamente até conseguir deixá-lo tenro. Posso juntar-lhe alho para dar um sabor mais intenso a esta relação cozinheira/ingrediente, quem sabe um pouco de sal para dar um sabor mais firme em épocas de indecisão, pimenta (indispensável!) porque um bom bife tem de picar ligeiramente na língua. Mas as batidelas carinhosas do meu martelo são a chave de tudo.
Quando acho que um bife não vale a pena atiro-o para dentro da minha frigideira, dou-lhe duas voltas e, com a tampa em cima, deixo ficar em lume brando a ver o que acontece. Não desisto logo porque nunca se sabe se dará jeito para um prego. Mas nunca passará disso. Agora aqueles em que insisto em bater, é porque valem a pena. E pacientemente vou mantendo o martelo na mão. O martelo do coração.