segunda-feira, dezembro 31, 2007

2007... Fuck you!

"Fuck you", já lá dizia o outro. 2007 foi um ano tramado em muitos aspectos e esta é a frase derradeira que me apetece dizer nestas últimas horas. A boa notícia é que sobrevivi e estou mais optimista do que nunca.
Porque a vida às vezes surpreende-nos. Porque mesmo quando tudo corre mal há um lado positivo que se deve levar em conta. Porque tenho vontade de sorrir à vida. Porque 2008 vai ser o ano. E eu vou cá estar para o desfrutar.
Um feliz 2008 a todos... com mtos cozinhados ;)


sexta-feira, dezembro 28, 2007

O balanço do bolo-rei

Ingredientes:
Muitos kilos de massa doce
100g de fruta cristalizada
500g passas (do Algarve)
Meia dúzia de pinhões

Receita:
Juntam-se todos os ingredientes e batem-se durante doze meses até ganhar consistência. Leva-se ao forno da reflexão.

Chega o fim do ano e com ele o meu típico balanço dos últimos doze meses. Gosto de olhar para trás e rever tudo o que se passou. O bom e o mau. Este ano a minha vida pode assemelhar-se a um bolo rei. Uma massa doce, recheada com alguns intrusos menos saborosos, mas que, quer se goste quer não, acaba-se por comer sempre mais do que uma fatia. As passas são as que estão em maior número. Pertencem ao sector profissional. Umas doces, outras mais amargas, mas é certo que gosto de ver o meu bolo rei cheio delas. Foi um ano de muitas passas (as do Algarve?).
Os pinhões, que são o que eu mais gosto, representam os momentos afectivos. São poucos, é verdade, mas os mais saborosos que ficaram envolvidos na minha massa fizeram valer as fatias que comi. A fruta cristalizada é a família... sempre em cima do bolo-rei. Embora o ritual de a trazer às costas continue, neste ano consegui diminuir em muito o peso do seu aspecto açucarado.
O brinde é, como sempre, os amigos. Tenho vários brindes no meu bolo. Pequenos de aparência, mas grandes de coração. A fava é só uma (felizmente!). Ainda não sei o que fazer com ela. Pode ser que 2008 me dê uma ajuda.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Azevias pirlimpimpim

"Desejo-lhe um Natal pirlimpimpim!" Esta frase, seguida de um beijinho caloroso - vindo de uma pessoa que pouco me conhece - foi talvez o gesto que mais me tocou nesta quadra natalícia. Achei deliciosa a expressão "pirlimpimpim".
Confesso que este ano o espírito do Natal não me invadiu como de costume. Montei a àrvore tardiamente, os poucos presentes que comprei não foram pensados com imaginação como de costume e a minha ansiedade por ver a família reunida também ainda não apareceu. Tenho andado tão absorvida pelo trabalho que me esqueci que o Natal estava a chegar. Esquecimento que durou até ouvir esta frase, há poucos dias atrás. Por isso (e porque este ano não dei a atenção habitual a muitas das pessoas que me são queridas) achei que vos devia retribuir a frase que tanto me deu que pensar: Desejo um natal e um ano pirlimpimpim a todos. Que a magia da simplicidade dos pequeninos momentos esteja sempre presente!

sábado, dezembro 22, 2007

Teoria do sabão azul e branco

"Sabiam que em alguns manuais escolares antigos o sabão azul e branco vinha recomendado como método contraceptivo?" Após esta pergunta, foi inevitável não rir. O momento, com a gargalhada conjunta, ficou captado para sempre. É por estas e por outras que adoro fotografias.
Já é tarde, mas ainda continuo agarrada ao tachos (ao tal das massas em espiral...). Estou desejosa de ir para casa, mas não resisti a parar dois minutos por aqui e partilhar esta imagem. Quanto à teoria acima escrita: o sabão seria para usar antes, durante ou depois? Fica a pergunta para posterior reflexão. Por aqui pela cozinha só se for mesmo para lavar bem o material antes de meter a colher no tacho...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Estômago descodificado

Ingredientes:
500g de desejos
1 boca satisfeita
1 raminho de mensagens subentendidas

Receita:
Juntam-se as 500g de desejos num estômago sôfrego, até a boca ficar satisfeita. Espera-se pela digestão e reflecte-se nas mensagens subentendidas do nosso corpo.

Há uns dias estava eu em casa à noite quando decidi fazer um zapping em busca de alguma coisa que me fizesse embrutecer em frente à televisão. Como sempre, lá estava a fiel companheira Oprah Winfrey. O convidado era o Dr. Oz. O tema era os maus hábitos alimentares... e as mensagens que o nosso corpo emite em formato de desejos.
Sabiam que quando nos apetece doces significa que estamos afectivamente deprimidos? E que quando nos dá uma vontade súbita de enfardar salgados é sinal de demasiado stress? E alguma vez pensaram que as pratadas de massa que enfiamos pela goela abaixo podem ser um sinal da nossa insatisfação sexual? Eu nunca tinha pensado nestas ligações. Decidi rever o que tinha comido naquele dia e cheguei a uma conclusão assustadora: ao almoço tinha comido massa, a meio da tarde tinha devorado um rissol no bar do Sr. Lopes e a caminho de casa deliciei-me com um chocolate Milka que me ofereceram à saída do trabalho. Será a minha alimentação um aviso do meu estômago para o descalabro que anda a minha vida?

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Há dias assim

Porque há alturas em que o silêncio vale mais do que mil palavras. Porque há coisas que simplesmente não podemos controlar. Porque, acima de tudo, há momentos em que temos de ser sinceros com nós próprios. Hoje não quero falar sobre culinária. Quero só ouvir esta música. Lamechas.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Beijo gratinado

Beijar é uma arte. Nisto o círculo de mulheres que me rodeia está de acordo. Culinariamente falando (por aqui tem de haver sempre esta versão), beijar é como acender o fósforo que nos vai pôr a chama no bico do fogão. Só depois de o fazermos é que podemos cozinhar todo o resto da relação.
A importância do beijo vai muito além de qualquer outro contacto físico entre duas pessoas. Não há ansiedade igual à que antecede o primeiro numa relação. Mais do que o sexo, o beijo marca o avançar de uma etapa. O problema é que nem toda a gente sabe beijar. Mas também há quem o faça muito bem. Este é um tema recorrente de conversa e, para terem noção da importância meticulosa que damos a este acto considerado por muitos como “banal”, aqui fica ipsis verbis a lista das cinco coisas que mais desagradam ao mundo feminino:

1 – “Os demasiado salivosos”
2 – “Os demasiado apressados que parece que vão apagar um fogo”
3 – “Os que têm mau hálito… dos problemas de estômago ao tabaco”
4 – “Os que andam com a língua às voltas como se a boca fosse uma rotunda”
5 - “Os que nos batem com os dentes e nos arrancam bocados dos lábios”

Embora um bocado (a favor!) cliche, aqui fica uma música sobre isto.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Fora do prazo, mas com boas recordações

A ASAE ainda não nos deu luz verde. Pelo contrário. Depois de um dia de trabalho o meu iogurte está mais azedo e com os pedaços feitos num oito. Por mais que o ponha no frigorifico dos benurons, a temperatura não desce. Detesto estar doente!!
No entanto, acabei de ouvir uma música que me fez pensar no último fim-de-semana. Há uma parte da letra que diz: "There are so many special people in the world". Nada pode transmitir melhor estes dois dias. Mais do que portuguesa, sou cidadã do mundo. E, espero eu, uma dessas pessoas especiais. Hei-de voltar a este tema em breve.


segunda-feira, dezembro 10, 2007

Iogurte fora do prazo

Tenho muitas receitas para partilhar mas a minha cozinha foi fechada pela ASAE. Pelo menos por hoje. Estou tal e qual um iogurte fora do prazo de validade: com a temperatura bem mais alta do que era suposto, dores nos meus pedaços de garganta e ouvidos e com a cabeça verdadeiramente azeda. Seis horas numa sala gelada de um tribunal bem longe de Lisboa deixou o meu iogurte estragado. Vou mete-lo na cama e esperar que amanhã a ASAE da saúde nos volte a deixar funcionar.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Tal qual uma caixa de ovos

Ingredientes:
1 caixa de ovos
1 pacote de arroz
1 embalagem de massa em espirais
500g de alface

Explicações:
Há alturas em que a vida pode ser equiparada a uma caixa de ovos, aos tombos num saco de compras do Minipreço. Ali vou eu, protegida por um cartão rasca, à mercê das outras embalagens que parecem ferozes ameaças. De um lado a família, tal qual pacote maciço de arroz, que teima em cair em cima de mim. Com algumas mossas, os meus ovos têm resistido a anos de tombos no saco das compras, onde o tal pacote de arroz (tantas vezes dependente e irresponsável) insiste em inverter os papéis naturais dos intervenientes. Sinto-me cansada. Continuo com os pés de fora. Os meus ovos também.
Por outro lado, o trabalho. Tal qual pacote de massa em espirais. Os tombos que dá em cima de mim não fazem mossas tão grandes como o arroz. Algumas vezes vivemos numa sintonia perfeita, noutras é preciso alguma distância dentro do saco para não cairmos em exageros. Adoro massa, gosto desta embalagem em particular, mas não deixam de ser espirais.
A minha sorte é a alface dos bons amigos que tenho. Mesmo quando cai em cima do meu pacote de ovos não corre o perigo de os amachucar. Tem sido assim desde há muitos anos. Entre mim e os pacotes mais pesados, há sempre o conforto da alface.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Cozinheira de mau-humor... sarilho na cozinha

Há noites em que, mesmo faltando ainda umas horas para irmos dormir, sabemos à partida que na manhã seguinte vamos acordar com os pés de fora. Hoje é uma dessas noites.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Gargalhadas de cozinheira

Não há nada como o som estridente de uma gargalhada. Nunca percebi muito bem o que nos leva a faze-lo desta forma, muitas vezes incontrolável. Hoje ri muito. Não era o sítio mais indicado mas até as lágrimas me escorreram pelas bochechas. Por causa de uma pessoa que está noutro continente e de outra que está a dois metros de mim. Conto isto só porque já não me lembro se alguma vez escrevi aqui que adoro rir. Adoro mesmo!

domingo, dezembro 02, 2007

Os avisos do bolo de chocolate

Ingredientes:
4 sinais de aviso
550g de paixão
1 tablete de chocolate

Receita:
Batem-se as 550g de paixão com quatro avisos bem visíveis. Depois de se bater com a cabeça na parede, adiciona-se a tablete de chocolate até nos decidirmos a voltar a tentar.

Explicação:
Quantas vezes já dissemos a nós mesmos que nunca mais nos queriamos apaixonar? Quantos amigos (e eu mesma) já me disseram esta frase, convictos de que tinha sido a última. A verdade é que caímos sempre no mesmo erro. Uma espécie de jogo de "bater com os co... na parede" repetidamente, rejeitando todos os sinais de aviso que nós damos a nós próprios. Após alguma reflexão sobre este tema, há quatro sinais muito, mas mesmo muito, comuns. Só não percebo é porque é que na altura não espetamos um cartão vermelho e fazemos parar o jogo antes de haver penalti. Ora vejamos:

1º Quando acordamos e adormecemos com cara da parvos a pensar na pessoa (primeiro sinal de aviso, tipo árbitro a apitar)
2º Quando um simples roçar de braços com a pessoa nos dá choques eléctricos pelo corpo todo (sinal STOP bem à frente dos nossos olhos... mas nunca o vemos)
3º Quando ficamos com o estomago totalmente à voltas e perdemos a fome, só com a ansiedade de voltar a ver a pessoa (duas luzinhas vermelhas começam a piscar com a palavra "PERIGO!", "PERIGO!")
4º Quando acordamos ao lado da pessoa e, mesmo com o hálito matinal, cabelo desalinhado e remelas nos olhos, a achamos adorável e temos vontade de a beijar (Chegámos ao ponto do "tá tudo fod...". irremediavelmente apaixonados)

Estar apaixonado é como comer um bolo de chocolate. Apetece-nos devorá-lo de uma só vez com medo que desapareça. Sabe-nos muito bem cada dentada e suspiramos só de pensar no recheio cremoso. Sabemos que podemos terminar com uma bela dor de barriga mas continuamos a comer. Talvez porque também há sempre a hipótese de terminarmos completamente lambuzados de felicidade. Seja como for, faz-nos sentir vivos. É uma chatice, mas sabe muito bem.

sábado, dezembro 01, 2007

A realidade fora da cozinha

Há dias em que o mundo nos obriga a enfrentar a realidade. Não me apetece ainda, mas as circunstâncias assim o ditaram. Chegou a hora de pôr a tampa no tacho, desligar o fogão e tirar o avental das desculpas esfarrapadas.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Mostarda cor-de-burra quando foge

Ingredientes:
200g de mostarda
1 rolo da massa

Receita:

Há uns tempos, a mostarda chegou-me ao nariz. Tinha pimenta a mais, era demasiado amarela (tipo cor-de-burra quando foge) e a sua consistência não era nenhuma. Uma mostarda vazia. Um género de vómito mascarado. Só este tipo de mostarda é que é capaz de despertar a padeira de Aljubarrota que há em mim. Com a colher de pau e o rolo da massa na mão, prontos para um duelo ao pôr-do-sol. Foi o que aconteceu um dia destes…
Dei por mim a dizer a seguinte frase: “Ó minha querida, de meu só te dava uma coisa: os nós dos meus dedos espetados na tua fronha”. Estranho, não? Não me considero uma pessoa agressiva. Aliás, até costumo ser muito paciente e a violência nunca me parece ser uma opção. No entanto, tudo isto muda quando alguém faz mal a um dos meus amigos. Sim, embora possa parecer uma frase batida, para mim os amigos são sagrados.
Tenho a sorte de ter alguns, daqueles verdadeiros. Dos que estão sempre lá, seja qual for o prato que lhes meto à frente. Sinto por eles um sentimento incondicional. Amor, suponho. Talvez por isso seja para mim inconcebível que alguém possa prejudicar deliberadamente estas pessoas que tanto prezo. É verdade, sou uma paz d’alma, mas a mostarda chegou-me ao nariz… e subiu-me à cabeça. Molho assim a minha batata frita, em todas as mostardas insípidas deste mundo. Brindo à vossa ignorância.
Olhando para trás dá-me vontade de rir. Aliás, já ri muito (rimos) por causa deste episódio. Porque quando se trata de mostardas mal condimentadas, não há nada melhor que rir. No entanto, o rolo da massa continua aqui guardado… não vá a mostarda tece-las!

Leite "desinsuflado"

Ingredientes:
Leite, muito leite
500g de escombros
1 mulher à beira de um ataque de nervos

Receita:
Durante algumas semanas suga-se todo o leite, até reduzir a “escombros” o corpo de uma recém-mamã. Mistura-se com poucas horas de sono e muitas fraldas, até deixar qualquer mulher à beira de um ataque de nervos.

Explicação:
O nascimento de uma criança é, à partida, sempre um momento de felicidade. Imagino que ser mãe deve tirar o chão debaixo dos pés a qualquer mulher. Um dia, daqui a uns bons anos, lá chegarei. No entanto, há todo um lado pós alegria que permanece como mistério no mundo feminino. No meio surgem os dramas que só uma mulher consegue ter:

Ela - Tou à beira da decadência.
Eu – Então?
Ela - Então... gorda, flácida, sonolenta, com os peitos moles…
Eu - Txxxiiii que exagero! Isso acaba por ir tudo ao lugar, não te preocupes.
Ela - Mas nc pensei q as minhas mamas ficassem assim pá! Eles sugam e isto desinsufla!
Eu - Q visão! Vou repensar mt bem a minha vontade de ter um bando deles…
Ela - Se ficamos reduzidas a escombros do q éramos n importa nd. Há q deixar sucessão.
Eu – Tas bonita, tas! Tenho de te raptar p uma noitada a ver se animas.
Ela - Podes crer! O meu dia resume-se a cocós e biberões. Desta é q se foi a minha juventude…


(Desde já obrigado por teres deixado publicar esta conversa, que terminou em boas gargalhadas) Depois de uma explicação horripilante sobre a epidural, nada como este cenário de um corpo “reduzido a escombros” para adiar por uns longos anos qualquer vontade de ter crianças. É que no meio da felicidade, há um aspecto de que não nos conseguimos desprender: além de mães, somos mulheres. Em todo o sentido da palavra.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Prato do dia

Mais uma que não consigo parar de ouvir. A mistura do saxofone é simplesmente divina!
Ainda hoje volto cá para trasncrever uma conversa maravilhosa sobre, nada mais, nada menos... leite!



A frase desta: "A saudade a bater, uma dor que ao doer é só minha"

quarta-feira, novembro 28, 2007

Dissertações da cozinheira

"O Clube dos Poetas" foi, é e será sempre (suponho!) o meu filme preferido.

"I went into the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life ... to put to rout all that was not life. And not, when I came to die, discover that I had not lived", Henry David Thoreau

terça-feira, novembro 27, 2007

Secretos de visualizações

Ingredientes:
1 lata de polpa de visualizações
Secretos de felicidade
200g de imaginação

Receita:
Põem-se os secretos estendidos num tabuleiro e rega-se com a polpa de visualizações. Leva-se a alourar em 200g de imaginação.

Decidi dedicar-me ao exercício das visualizações. Deitei-me na minha cama e fechei os olhos. Dez segundos depois voltei a abri-los. Estava indecisa. Afinal quais são os meus objectivos para o futuro? É claro que tenho alguns bem delineados… mas serão os correctos? Em vez de impor um pensamento, decidi deixar a minha imaginação funcionar livremente.
Fechei novamente e ali estava eu. Ao fogão. Oiço duas vozinhas a gritar “Mãããe”. Uma figura masculina envolve-me a cintura. Abro os olhos e não consigo evitar: “Ao fogão?!?! O teu futuro é esta sopeirice?”. Mas na realidade não me sentia nada sopeira na visualização.
Tento de novo. Desta vez surge um cenário romântico. Estou numa sala acolhedora e a tal figura masculina (cujo rosto não existe, talvez porque não exista um rosto possível na minha mente) puxa-me para dançar. Pelo simples prazer de dançar. Volto a abrir os olhos sem perceber nada.
Última tentativa, digo eu. Desta vez estou de pernas cruzadas num sofá confortável. É de noite e eu escrevo afincadamente num portátil. Pelo prazer com que escrevo, suponho que seja uma reportagem. Surge a tal figura, mais uma vez. Massaja-me os ombros e diz que está desejoso por ler. Desisto. A minha imaginação parece uma novela.
Horas mais tarde decido reflectir sobre isto e concluo que o nosso cérebro é uma máquina surpreendente. Embora pareçam cenas banais, no fundo a minha imaginação só transpareceu os meu desejos mais íntimos: 1º Ser mãe. 2º Ter uma relação de muita cumplicidade. 3º Estar intelectualmente activa, tendo ao meu lado uma pessoa que apoia a minha carreira.
Claro que há muitos objectivos além destes. Viagens, projectos profissionais, etc. Mas se calhar é nestas situações tão banais que vou encontrar a plenitude. Desejos à partida simples, penso. Mas terá a felicidade de ser uma coisa complicada?

Prato do dia

Adoro ouvir versões ao vivo. Sou de manias... quando embico para uma música, tenho a tendência de a ouvir repetidamente. No carro, tinha de ser. Há sempre uma frase que me faz parar. Por vezes há um motivo. Neste caso é só porque me soa bem.



Nesta música, a frase: "You've got me wild, turned around inside".

domingo, novembro 25, 2007

Do cabaret para os doces conventuais

Ingredientes:
1 coro de gospel
kgs vitalidade extra

Receita:
Bate-se o coro de gospel durante duas horas, com muitos kg de vitalidade. Serve-se em tacinhas, onde cada um acredita no que quer.

Explicações:
Se houve filme cuja gravação em VHS muitas vezes rodou no meu velhinho vídeo foi o "Do Cabaret para o Convento". Durante uns bons anos cantva o "Oh Happy Day" desalmadamente e imaginava-me num daqueles coros, com uma batina, a bater palmas e a dizer "Aleluuuuuuuia". Uma contradição, uma vez que a minha veia religiosa é inexistente.
Ontem tive a oportunidade de assistir pela primeira vez a um concerto de gospel. Até os meus tornozelos ficaram arrepiados. A energia, a alegria, a vitalidade que emanava aquele grupo de pessoal português, à partida tão parecido comigo, fez-me vibrar. Durante cerca de duas horas deixei-me levar pela palavra do "Senhor", cantada. Embora sejam letras quase sempre com carácter religioso, a verdade é que podemos adaptá-las a qualquer que seja a nossa ideologia. "Him" ou "The Lord", na minha cabeça transformou-se em tudo menos em Deus. Não poderá ser este senhor simplesmente um reflexo da nossa força de vontade? Da nossa capacidade de acreditarmos em nós mesmos?
Culinariamente falando, ouvir este coro foi equivalente a comer uma bela doçaria conventual. Daquelas que nos deixam satisfeitos até à alma.
Aqui fica uma das interpretações do Faith Gospel Choir:

quinta-feira, novembro 22, 2007

Cobertura de raspas de amor

Ingredientes:
1 frase
500g de teoria
Raspas de amor

Receita:
Bate-se a frase com as 500g de teoria até ficar macio. Juntam-se as raspas de amor, muitas vezes apenas para enfeitar.

Explicação:
Mais uma vez "O Monge que vendeu o seu Ferrari". Outra que me fez parar:

" Só depois de dominares a arte de te amares a ti mesmo é que podes verdadeiramente amar os outros"

Há muito tempo que esta é a minha teoria. Embora racionalmente esta seja uma frase de simples interpretação, pô-la em prática parece-me um pouco mais complicado... se bem que nem damos conta. Estaremos nós realmente prontos para nos amarmos a nós próprios incondicionalmente?
De há uns tempos para cá (expressão que eu tanto gosto de usar), tenho dito aos quatro ventos que cada vez gosto mais de mim. Mas será que me amo? Pergunto isto porque após uma breve análise do meu dia de hoje, semelhante a tantos outros, dou por mim a ter comportamentos totalmente auto-destrutivos. Amar-me-ei eu ao deixar-me trabalhar doze horas praticamente seguidas? Ao comer uma mera sandes ao almoço porque o tempo (e o dinheiro) não dão para mais? Terei eu respeito por mim mesma quando deixo para trás as coisas que me dão prazer em prol das obrigações? Terei eu amor próprio quando chego a casa e, em vez de ter tempo para um banho relaxante, uma conversa com a família, um jantar saudável, tenho apenas um tabuleiro em cima das pernas (com uma massa daquelas para aproveitar os restos que há no frigorifico) enquanto tento desenhar um esquema para o trabalho do dia de amanhã?
Será a minha ambição e a paixão pela minha carreira uma forma de não me amar completamente a mim? Não sei. Mas às vezes duvido que me ame tão incondicionalmente como devia. Será que alguém o faz?

quarta-feira, novembro 21, 2007

Dissertações da cozinheira

Sempre gostei de jogos.
O primeiro que me fez vibrar foi concerteza a "Apanhada". Mas o que eu mais adorava era aquele dos "Países". Cresci e passei aos complicados jogos amorosos. Pelo meio, vários tácticas no sector profissional. Já passei pela posição de defesa, mas também pela de avançada. Fiz bluf, mas também já apostei tudo o que tinha para apostar.
Hoje em dia há um jogo que não dispenso: o das palavras. Um género de "esconde-esconde" para adultos. Na verdade gosto de me esconder e de esperar, com um friozinho na barriga, que a outra pessoa tenha inteligência suficiente para perceber que já contei até dez e agora é a sua vez de ir à procura. O problema é quando aparece um batoteiro e inverte os papéis sem dar a conhecer ao árbitro.

terça-feira, novembro 20, 2007

Paté de carangueja

Ingredientes:
1 carangueja
200g de wikipedia

Receita:
Batem-se dez letras no teclado até formar a carangueja. Com uma colher mistura-se a definição da wikipedia até ficar consistente... ou não.

Explicações:
"Tímidos e misteriosos, os caranguejos são muito ligados a tradições. É o signo do sonho, da ternura, imaginação e da memória tenaz que fixa e idealiza as recordações, acontecimentos e sentimentos do passado para se proteger contra as incertezas do futuro. Sedutor e sensual. O amor do caranguejo tem sempre algo de contos de fadas, com a sua princesa, o seu príncipe encantado, mas também com uma maldição a combater e monstros ameaçadores. É o amor puro das crianças, o amor maternal, o amor romântico, mergulhado num sonho ideal e inacessível ou definitivamente parado num rosto ou num nome. O humor do caranguejo é extremamente mutável e em ocasiões tende a ser rabugento e agressivo, uma vez que sua necessidade de auto-defensa (às vezes antes mesmo de ser atacado) é uma de suas características fundamentais. Oscila entre o júbilo e a depressão. Podem ser muito fechados. Costumam ser muito capacitados intelectualmente e extremamente ligados às artes e à poesia."

O meu ascendente em capricórnio teria muito a dizer quanto à parte dos contos de fadas... mas no essencial é isto. E até já vem na wikipedia.

Dicas soltas para pitéus diários

Ando ler "O monge que vendeu o seu Ferrari". Houve uma frase que me fez parar, reler e pensar. Achei que a devia partilhar aqui na cozinha:

"Nunca te arrependas do teu passado. Acolhe-o como o mestre que ele é", Robin S. Sharma.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Tomates bravos


Ingredientes:
vários kg de homens italianos
500g de lata
tomates bravos qb

Receita:
Misturam-se os homens italianos num tacho com as 500g de lata. Juntam-se uns tomates bem bravos e mexe-se em espiral, com toda a pinta do mundo

Explicações:
"Somos bravos como leões. Preferimos tentar e ouvir um não, do que ficar a pensar como teria sido". A lógica dos homens italianos (esta frase foi-me dita por um) foi um dos pormenores que muito me agradou na minha passagem pelo norte de Itália. Têm lata, é verdade. Gostam de se arranjar, é verdade também. São chatos... às vezes, mas ao menos demonstram ter atitude. Em português: tomates.
"Sempre gostei deles atrevidos", dizia-me há uns tempos uma amiga. Devo concordar. Na verdade, a maioria das mulheres continua a gostar de ser cortejada, de ouvir piropos e sentir luta no jogo do "vai-nao-vai". Ser atrevido não significa ser ordinário e isso os italianos sabem bem. Para eles não há a nova mania do "as mulheres é que têm de dar o primeiro passo": gostam de conquistar e tiram um enorme prazer dessa faceta. Como eles próprios diriam, uns verdadeiros leões.
Posto isto, resta-me uma pergunta repetida à exaustão por tantas bocas próximas de mim: que é feito dos tomates bravos portugueses?

domingo, novembro 18, 2007

Salteado de 8 restaurantes que me marcaram

Ingredientes:
500g de bons momentos
8 restaurantes
recordações para saltear

Receita:
Dos oito restaurantes retiram-se 500g de bons momentos. Salteia-se com recordações.

Explicações:
Cheguei a esta conclusão: grande parte dos momentos da minha vida que mais histórias deixaram para contar foram passados à mesa. Aqui fica o ranking dos oito restaurantes que mais marcaram a minha vida:

- "Bonjardim" - Ali mesmo ao lado do Coliseu, era um ritual sagrado dos domingos com os avós. O momento mais aguardado era o magnifico gelado de 3 bolas, chantily e groselha com que me batia a cada ida lá.
- "Forno" (salvo erro!) - Quem não se lembra dos jantares de turma na Feira Popular? Com 9/10 anos era uma festa! Uma coca-cola era o suficiente para ficarmos bebedos de alegria. Que saudades!
- "Dona Fátima" (não me recordo do nome real) - Tantos momentos... A primeira piela da minha vida, tinha eu 15 anitos (bastaram 3 copos de vinho branco, uma miséria). Discussões, alegrias, pancadaria, arrufos de namorados, sessões de estudo, confissões... tudo se passou naquele cafezinho durante três anos da minha vida, com o ombro amigo das nossas queridas Fátima e Luzia!
- "Modesto" - Caso para dizer: já fui muito feliz em Sesimbra. Se o choco frito, o vinho à pressão e a tarte de requeijão pudessem falar teriam muuuuuuitas histórias para contar. Local de culto com os meus melhores amigos e não só. Quando é que lá voltamos?
- "Afrodite" - Restaurante afrodisíaco ali pros lados da Expo. Acho que não é preciso contar os pormenores.
- "O Farol" - Os anos passam e é pela mão do meu adorado padrinho que lá continuo a ir para comer as ameijoas. Grandes reuniões de família, muitas mariscadas, belas conversas. Quando tiver filhos de certeza que os vou lá levar também.
- "Povoense" (mais conhecido por Tirinhas) - Talvez as maiores barrigadas da minha existência. Comer até cair pro lado. Um aniversário de bradar aos céus que acabou com o pessoal a chupar gasolina de um carro, com uma mangueira. Muitas horas de espera para ter mesa. Mas sempre momentos compensadores. Sai uma dose de tiras e salsichas na brasa!
- "Pedro Pescador" (também não me lembro do nome real) - Ir a Setúbal comer peixe grelhado é outro ritual que não consigo quebrar. E o Pedro tem o melhor pregado do mundo. A prova de como uma tasca consegue dar aos clientes o verdadeiro manjar dos deuses.
Se precisarem de moradas estou disponível! :)

Nuvens em castelo

Ingredientes:
Toneladas de nuvens
Castelos de imaginação

Receita:
Batem-se as toneladas de nuvens até formarem castelos de imaginação.

Explicações:
Há coisas que faço desde que sou gente e que tenho a certeza que continuarei a fazer enquanto existir neste mundo. Uma delas é olhar para as nuvens.
Quando era pequena, nada me dava mais prazer do que ir para o terraço ficar a olhar para o céu. Castelos, dragões, guerreiros, caras, letras, montanhas. São inúmeras as coisas que já vi (e continuo a ver), como se de um filme se tratasse.
Fruto da imaginação ou um mero reflexo do que me vai guardado na alma, nunca soube explicar. Mas fito sempre com um sorriso interior estas manchas brancas. São as minhas pranchas de Rorschach secretas.
Vinha a caminho de casa e as nuvens vieram-me à ideia, embora seja noite escura. Achei que devia escrever sobre isto. Não sei explicar porquê. Se calhar está na hora de ir dormir.

sábado, novembro 17, 2007

Cataplana de olhar feminino raioX

Ingredientes:
1 Grupo de amigas
500g Olhar raioX
Sintonia qb

Receita:
Junta-se um grupo de amigas bem guarnecidas, polvilha-se com o olhar raioX e frita-se em sintonia qb. Serve-se num brainstorming de 30 segundos.

Explicações:
As mulheres são tramadas. Encarnando a faceta de super-homem, com todos os seus super-poderes, usam a visão raioX como função primordial da vida. Sem qualquer combinação prévia, em poucos segundos passam em conjunto o olhar, tal qual scanner detector de defeitos. Segue-se sempre um brainstorming:

- Ele é engraçado.
- Também achei. Gostei das mãos!
- Reparaste nos olhos rasgados?
- Não achei foi lá muita piada aos pés.
- Mas olha que com aquela voz promete.
- Sem dúvida, tem pinta.
- Mas precisa de uma remodulação nos trapos
- Oh cala-te! O rabo tá no ponto.
- Devias deixar de ser parva e fazer qualquer coisa.

Tudo isto num espaço de 30 segundos. Não sei onde vamos buscar esta frieza de análise. Então eu, criatura habituada a demorar (demasiado) quando toca a observar alguém.
Seremos nós mulheres um bando de criaturas fúteis quando nos juntamos? Espero que não, mas admito que adoro estes minutos de pura sintonia feminina, pouco escrupulosa, que culmina com uma inevitável gargalhada. Na realidade, quando chega a hora da verdade nenhuma de nós usa os ditos super-poderes. Eu que o diga. Principalmente quando até achei piada ao objecto de análise.

sexta-feira, novembro 16, 2007

O meu cozido à portuguesa

Ingredientes:
Toneladas de pormenores
1 Mulher muito portuguesa

Receita:
Põe-se a mulher muito portuguesa dentro de uma panela alta e juntam-se as toneladas de pormenores demasiado tugas. Serve-se numa travessa de barro.

Explicações:
Sou tão portuguesa que até irrita. Consigo juntar em mim todas as couves, enchidos e partes menos apetitosas do porco. Sou o que se pode chamar um verdadeiro cozido à portuguesa.
Canto fado (na banheira, reforço) com toda a alma, bebo moscatel e licor beirão como quem sorve o néctar dos deuses, adoro todas as comidas pesadas que vão da feijoada às belas das favas. Gosto de ir à praça de manhã e regatear o preço com as peixeiras, vocifero no trânsito para descarregar o stress, acelero que nem uma louca só pelo prazer da condução.

Raramente faço queixas para não levantar ondas, gosto de juntar a família no almoço de domingo (cada vez mais difícil), vibro com os santos populares e adoro ficar com o cheiro da sardinha entranhado na roupa. Gosto de dizer palavrões e de rir bem alto. Fazer jantaradas até às tantas, com o inevitável petisco sempre presente. E o mar, o mar… era incapaz de viver num país sem mar. Sou supersticiosa. Continuo a gostar dos beijinhos de boa noite tão lusitanos. Emociono-me com facilidade, sou nostálgica. Adoro ver as fotografias de momentos felizes e, claro, sinto saudade. Essa palavra tão portuguesa.
Só não gosto de ir à missa. Desculpem lá este pormenor.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Sonhos com recheio traidor

Ingredientes:
70kg de assunto problemático
1 Noite de sonhos saudosistas
Frustração para polvilhar

Receita:
Após uns quantos meses em banho-maria, deitam-se os 70kg de assunto problemático numa noite de sonhos fraudulentos e saudosistas. Acorda-se totalmente polvilhado em frustração.

Explicações:
Sinto-me defraudada pelo meu subconsciente. Fui traída da forma mais vil possível pelo meu próprio cérebro. É o que dá quando tentamos, em vão, esquecer uma situação sem a resolver primeiro.
Nunca vos aconteceu terem a certeza que tinham um assunto resolvido dentro da cabeça? Sentirem-se seguros de que nada do que viesse a seguir poderia voltar a fazer-nos ter um turbilhão de sentimentos contraditórios? Ora bem, eu sou um óptimo exemplo. Decidi resolver uma situação na minha cabeça, sem na prática a ter resolvido. Decidi esquecer, pôr para trás das costas. E confesso: sentia-me em pleno com a decisão.
Esta noite os sonhos trocaram-me as voltas. Sonhei com o que não devia. E o pior: sentia-me muito bem no sonho. Acordei zangada comigo mesma. Não era suposto ter sido enganada por mim mesma desta forma. Fica a lição: não deixes para amanhã o que podes resolver hoje. Mas agora já é tarde.

Aqui está uma música que me dá muito que pensar. Adequa-se.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Castanha brava com água-pé

Ingredientes:
1 Saca de castanhas bravas
1 Garrafa de água-pé
Loucura extra qb

Receita:
A uma castanha mansa junta-se uma garrafa de água-pé até esta se tornar brava.

Explicações:
Tenho vontade de tirar a capa de fora da castanha que há em mim e ser louca por um dia. Arrancar a pele de suposta sanidade que envergo diariamente e fazer todas as coisas que castro a mim mesma. Vontade de ser uma castanha a saltar na brasa, cheia de sal, com demasiado sal, que fique durante muito tempo nas papilas gustativas de alguém. Beber toda água-pé da garrafa e cantar o fado sem vergonhas.

Decidi que vou tirar um dia para sair da linha. Após anos de castanha mansa, decidi tornar-me brava por umas horas. Sair do cartucho feito de páginas amarelas em que vivo. O hábito obriga-me a esta faceta responsável. Mas hoje não me apetece. Espero que amanhã também não.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Lombo marinado

Ingredientes:
Vários kg de lombo de Paulinha
1 edredão

Receita:
Para que o cozinhado diário resulte, deve-se deixar o lombo de Paulinha a marinar no edredão até que as olheiras diminuam.

Explicações:
Tal como o lombo de porco precisa de marinar para ficar mais tenro, também o meu rico lombo precisa de marinar umas boas horas de vez em quando. Para muitos, dormir é visto como uma perda de tempo. Eu confesso que o tenho como um prazer.
Nada como tirar uma manhã para marinar na cama. Acordar sem o som do telemóvel, espreguiçar-me sem pressas e, o melhor, poder voltar a fechar o olhos e deixar-me ficar na ronha mais meia-hora. A cereja no topo do bolo é quando ainda me sobra tempo para estender o braço, agarrar o livro na mesa-de-cabeceira e ficar a ler até a vontade de ir à casa-de-banho ser insuportável.
Cada vez dou mais valor a essas marinadas… até porque não tenho grande oportunidade para as fazer. As noites são sempre curtas, os sonhos, esses são um reflexo do stress do dia-a-dia. Invariavelmente imagens de trabalho percorrem o meu subconsciente de forma alucinada. Acordo frequentemente com a sensação de não dormido sequer um minuto.
Agora já percebem o motivo destas olheiras crónicas: falta de marinar! Parem de me dizer que levei murros nos olhos!

terça-feira, novembro 06, 2007

Escala de sentimentos folhada

Ingredientes:
250g de teoria folhada
2 palavras da escala de sentimentos
problemas de expressão qb

Receita:
Estendem-se as 250g de teoria folhada numa forma em formato de coração. Adiciona-se 2 palavras cremosas da escala de sentimentos, salpicadas com problemas de expressão.

Explicações:
“Na escala do gostar, adorar significa mais do que amar. A explicação é simples: adorar, adora-se a Deus, amar, ama-se o próximo”.
Esta teoria deixou-me perplexa. Nunca tinha pensado nestas expressões desta forma… talvez por a religião não ser o meu forte. Após esta conversa, foi impossível deixar de reflectir na palavra XXX, que tanto me custa proferir. Podem-se contar pelos dedos das mãos as vezes que a disse. A pessoa, essa foi só uma. Embora tenha acabado, na altura foi sentido, claro.

Dizer XXX sempre me custou muito mais do que dizer adoro-te. Afinal estava enganada e devia ter invertido esta dificuldade. Mas XXX é uma palavra tão pesada, embora bonita, séria, com a qual não consigo brincar. Sempre me irritaram aqueles casalinhos que a dizem a toda a hora. Tem uma carga tão forte que prefiro transmiti-la com um olhar ou um toque. Mas nas raras vezes que a digo, sinto-a sempre como algo especial. Talvez por isso também não goste de a ouvir a toda a hora. É como se deixasse de ser verdade ao ser dita muitas vezes.

Como sempre tive muito medo de assumir sentimentos, dizer XXX não é fácil. A primeira vez que o disse acho que passei horas a pensar se realmente era verdade. No entanto, a palavra saiu sem me aperceber. E não custou nada.
Algumas pessoas dizem-me que sou uma “pedra de gelo”. Será isto verdade só porque eu não gosto de o dizer repetidamente?

Aqui fica uma música que sempre traduziu muito bem o meu “Problema de Expressão”.

terça-feira, outubro 30, 2007

A arte de meter a mão na massa

Ingredientes:
100g de farinha
1 boa dose de garra
paciência qb

Receita:
Juntam-se todos os ingredientes e mete-se a mão na massa. Sova-se com garra até doer os braços, aguarda-se com paciencia que cresça e decide-se com inteligência o modo de apresentação.

Explicações:
Sempre gostei de meter a mão na massa. Em todos os sentidos da frase. Detesto ficar apenas a pensar como seria, sem nunca tentar. Adoro a sensação de começar a juntar os ingredientes um a um, tentando perceber se algo está mal e depois o melhor: socá-la violentamente em busca de um resultado final.
Há que saber rodopiá-la quando o caminho que estamos a seguir não é o correcto. Pôr um bocadinho mais de água quando a situação começa a ficar dura. Mas há que continuar a sová-la até chegarmos ao ponto certo.
Mesmo nos tempos de espera, como no da levedura, temos de saber ter a paciencia necessária e ficar atentos debaixo do cobertor que tapa o alguidar... qualquer brisa que entre na massa pode mudar o rumo da história e lá voltamos nós à fase do amassar.
Seja ela folhada ou quebrada é sempre com muito prazer que a estendo no tabuleiro e escolho a forma de apresentação. Por vezes em pequenos bolinhos, servidos rapidamente para os comilões mais ávidos. Noutras vezes, embora sejam poucas, guardo tempo para decidir qual a forma mais bonita e inteligente para transformar a massa num bolo forte.
A maior satisfação vem quando alguém trinca o produto final e, além de gostar, entende a essência de todos os ingredientes adicionados na massa que tanto exigiu de mim. Talvez por isso goste tanto da minha profissão. Por falar nisso, está na altura de meter a mão na massa. Só espero que não saia daqui um pão esfarelado.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Bechamel de procura de respostas

Ingredientes:
1 pacote de insatisfação
1 raminho de respostas

Receita:
Deita-se o pacote de insatisfação da sociedade numa taça alta e bate-se até esta ficar endurecida com as dificuldades. Na horta procura-se o raminho certo das respostas para polvilhar.

Explicações:
O homem nunca está totalmente satisfeito. Várias conversas têm-me levado a este tema e ontem, enquanto corria no estádio universitário em busca de alguma evasão, dei por mim a pensar nisto. Vivemos na era da procura incessante das respostas aos milhares de porquês que nos surgem de rajada. É como se vivêssemos constantemente à beira do abismo: queremos ter alguém, mas ao mesmo tempo temos medo de nos comprometermos; queremos crescer na carreira, mas também não queremos ser escravos do trabalho; queremos realizar os nossos sonhos, mas não temos coragem para deitar as obrigações para trás das costas e correr em busca do que nos satisfaz. O que fazer então? Estamos condenados à insatisfação?

"A religião é o ópio do povo", dizia Karl Marx. Mas hoje em dia a busca de respostas é feita de outras formas. Desde os livros de auto-ajuda - como o agora na berra intitulado “O Segredo” - a retiros espirituais ou até mesmo idas a cartomantes, a sociedade procura desesperadamente algo em que possa acreditar. Que dê um conselho sábio para ultrapassar a sensação de estarmos incompletos. Um caminho a seguir.

Será este um reflexo da competição em que vivemos actualmente? O ritmo aperta, todos os dias temos de provar aos outros, e a nós mesmos, que somos bons. Não há espaço para falhar. Há uns tempos alguém me dizia… e com razão: “As coisas valiosas não têm de ser alcançadas obrigatoriamente com esforço. Devíamos dar mais valor quando as conseguimos facilmente”. Vou tentar, prometo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

O prego da reconciliação

Ingredientes:
1 noite de gala
200g de bife do lombo
Mostarda de reconciliação qb

Receita:
A uma noite de gala juntam-se dois estranhos que se deviam conhecer muito bem. adiciona-se um bom bife do lombo e rega-se com mostarda de reconciliação.

Explicações:
Sempre tive dificuldades em perdoar. Mas a vida surpreende-nos. “O perdão é essencial se queremos viver em paz”, disseram-me há uns tempos. Ontem percebi finalmente quão verdadeira esta afirmação é.

Durante muitos anos vivi com o rancor a remoer cá dentro. Quase como uma malagueta que me sufocava mas que eu recusava em tirar da boca. Preferia trincá-la, esmigalhá-la - em sinal de vingança - mesmo quando a língua me ardia com vontade de dizer “chega”.

O passado nunca vai mudar, por mais voltas que se dê. Mas o futuro está nas nossas mãos. Ontem à noite, ao som de uma magnífica orquestra no Teatro São Carlos, olhei para Ele como se fosse a primeira vez. Baixei finalmente as defesas. Dei por mim a gracejar com cumplicidade, a acompanhá-Lo como se sempre o tivesse feito. Entre alguns copos de champanhe, dei conta do seu sorriso orgulhoso por me ter ao seu lado. “Estás a gostar?” Perguntou-me baixinho. “Estou a adorar”, respondi piscando o olho.

Este simples diálogo, com um sorriso mútuo estampado nas nossas caras tão iguais, foi o início do fim da guerra. Circulámos entre os convidados como dois anfitriões. Acabámos a noite no Faia, a casa de todas as tradições da minha família. Em frente a um prego do lombo senti que o gelo finalmente se quebrara. Conversámos sobre viagens e trabalho, talvez os temas que mais nos unem.
Ao fim de doze anos voltei a sentir-me a “sua menina”. E soube-me muito bem.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Pudim de nem sei bem o quê

Ingredientes:
1 frase
500g de reflexão

Receita:
Do nome de um livro tira-se umas gramas de reflexão. A conclusão, essa não existe.

Explicações:
“Queria de ter alguém à minha espera num sítio qualquer”. Quem não queria? Cada vez que olho para este livro da Anna Gavalda, há meses em cima da minha mesa-de-cabeceira, sinto uma saudade inexplicável. Do quê não sei ao certo.

Será inevitável sentirmos vontade de ter alguém à nossa espera? Alguém que tenha um sorriso cúmplice para dar. Um abraço apertado. Um beijo sentido. Um simples: gosto de ti.
Sinto saudades, não sei porquê. Será a vontade de voltar a sentir o coração descompassado? Não sei. Mas gostava ter alguém à minha espera num sítio qualquer.

terça-feira, outubro 23, 2007

Pote de mel

Ingredientes:
1 pote de mel
1 raminho de elogios sinceros

Receita:
Abre-se um pote de palavras melosas, que se juntam inesperadamente ao raminho de elogios sinceros até o ego rebentar de satisfação.

Explicações:
Sabe muito bem ouvir alguém dizer que nos acha bonita. Mesmo quando nos sentimos bem na nossa pele, esta é uma frase que soa como mel nos nossos ouvidos.
Na semana passada tive a oportunidade de almoçar com dois amigos que já não via há umas semanas. Amigos daqueles que me conhecem de ginjeira, que não precisam de me agradar com falinhas mansas. Após alguns segundos reflexão, do alto da sabedoria dos seus 38 anos de experiência com o mundo feminino, um deles abriu o pote do mel: “Tu és uma mulher muito bonita. Espero que tenhas noção nisso”. Apanhou-me desprevenida, devo confessar. “Os teus olhos são magníficos. Reflectem tudo o que tu és. Sensibilidade e inteligência”.
Já há algum tempo que ninguém me dizia algo do género… e soube-me muito ouvir. Talvez porque sei que nenhuma daquelas palavras continha mensagens subliminares. A sua sinceridade foi tal qual o néctar das abelhas: límpida e doce. Guardei aquelas frases num frasquinho, que escondi numa prateleira do meu ego para só voltar a abrir naquelas alturas em que me sinto uma gata borralheira. A verdade é que, nesse dia, depois daquela conversa, senti-me realmente bonita.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Quiche de comportamentos estranhos

Ingredientes:
Vários quilos de um namorado
500g de comportamentos estranhos
1 pitada de cegueira da paixão

Receita:
Dos vários quilos de namorado retiram-se 500g de comportamentos estranhos que só se revelam na intimidade. Adiciona-se uma pitada de cegueira da paixão e leva-se ao forno até cheirar a queimado.

Explicações:
Alguma vez se viram numa situação digna de um filme do Almodovar? A maioria das mulheres sim... na intimidade de uma relação amorosa. É aí que os homens revelam o seu lado mais estranho, por vezes engraçado, mas noutras alturas digno de uma ida ao psiquiatra.
Num jantar de sábado, que se prolongou até de madrugada, dei por mim a ouvir as histórias mais mirabolantes sobre vida amorosa de algumas amigas. Chegámos à conclusão que nós, no auge da paixão, tendemos a deixar passar despercebidos todos os sinais patológicos do mais-que-tudo. Não devíamos. Aqui ficam alguns dos pormenores mais inexplicáveis que nós já aturámos:

O namorado/equivalente que:

- Durante um ano seguido comia peixe com batatas cozidas ao almoço e bife com batatas fritas ao jantar (mesmo em restaurantes não mudava o menu)
- Cantava animadamente músicas do Quim Barreiros no duche, logo de manhã
- Precisava de tirar a roupa toda para ir à casa-de-banho
- Discutia sozinho
- Tinha uma pochete para transportar os preservativos
- Acordava a meio da noite várias vezes e dava pancadas na namorada para ver se ela continuava lá
- Quando chegava a casa da namorada a primeira coisa que fazia era tirar as calças
- Tinha a paranóia das lavagens obsessivas pós-sexo
- Usava compulsivamente batom do cieiro
- Trazia um saco com medicamentos para todos os gostos quando a namorada tinha apenas uma gripe
- Controlava o telemóvel da namorada em busca de uma traição
- Usava os cremes de beleza da namorada
- Empilhava os pratos sujos (com as espinhas!) no lava-loiças quando tinha máquina de lavar
- OS que adormeciam mal acabavam de ter relações (temos também as variantes “adormecer no sofá”, “adormecer no cinema”, etc)

Que pormenores estranhos nós mulheres teremos na vida a dois que sejam alvo de escrutínio público pós-relação? Olhando para trás, nenhuma de nós consegue perceber como conseguiu aturar algumas destas situações... mas o coração tem destas coisas. Fica a pergunta: serão todos os homens assim ou andaremos nós constantemente apaixonadas pela pessoa errada?

sexta-feira, outubro 19, 2007

Batido de revelações

Ingredientes:
1 desafio de uma amiga
Várias pitadas de revelações

Receita:
Uma certa senhora lançou-me um desafio público no seu blogue: escrever a receita do meu batido pessoal em formato de brincadeira de meninos do 5º ano. Aqui vão algumas pitadas de revelações sobre a mestra da culinária.

Explicações:

Olhos: Difícil! Há quem diga que são verdes, outros garantem que são amarelos…
Cabelos: castanhos claros… de vez em quando nascem umas madeixas douradas
Altura: 1,68 cmAscendência: tuga mais tuga não há!
Signo: Caranguejo, ascendente em Capricórnio
Sapatos que estou a usar: umas sabrinas que me custaram uns míseros 3 euros na feira
Fraqueza: uuuuiiii…tenho muitas. Mas tenho de manter a imagem da mulher de ferro!
Medo: uma fobia incontrolável por pássaros que aumentou com a minha ida a Veneza (vá, gozem à vontade)
Objectivos que gostaria de alcançar: sou uma idealista e claro que tenho alguns projectos humanitários com que sonho desde pequena. Mas para os concretizar tenho de me sentir bem comigo mesma e esse é o meu objectivo número um todos os dias.
Frase que mais uso no Msn: partes de letras de músicas… nada original, eu sei
Melhor parte do corpo: Tenho um certo fascínio pelo meu nariz mas não me perguntem porquê
Pepsi ou cola: cola, com gelo e limão, num copo alto
MacDonald's ou Bob's: Não há nada como a comidinha caseira… eu e o meu fogão temos uma paixão mútua
Café ou Capucino: a bela da bica a mim ninguém me tira de manhã! Adoro café! Mas bebo mais do que devia, confesso.
Fuma: nop
Palavrões: Dizer um palavrão bem alto é libertador. A conduzir nem se fala. Quando vou para um país estrangeiro é das coisas que mais gosto de aprender. Resumindo: adoro dizer uma bela caral…da!
Perfumes: Lacoste for women.
Canto: sou a ovelha negra da família. Os azulejos da minha casa-de-banho podem comprovar
Tomo banho todos os dias: para mal da conta da água…
Gostava da escola: Sim. Quando estava de férias aborrecia-me passado pouco tempo.
Acredito em mim: É a chave do meu dia-a-dia
Tenho fixação com a saúde: sou uma desleixada… já nem me lembro da última vez que fiz análises
Dou-me bem com os meus pais: quem me conhece já se deve estar a rir. Em vez de uma relação, digamos que tenho antes uma ralação com eles.
Gosto de tempestades: se eu estiver deitadinha no sofá com uma mantinha sabe muito bem

No último mês...
Bebi álcool: não resisto a um bom vinhoFumei: não
Fiz compras: claro, sou gaja. Mas tudo a baixo custo!
Comi um pacote inteiro de bolachas: nããããoooooo… mas tive vontade quando comprei um pacote de supremas de chocolate!
Comi sushi: baaahhhhh odeio sushi
Chorei: Sou uma lamechas. Basta-me ver um filme ou até mesmo a Oprah e debulho-me em lágrimas.
Fiz biscoitos caseiros: fiz uns scones na Bimbi da Gilinha que estavam de comer e chorar por mais!
Pintei o cabelo: Nunca
Roubei: sim, umas leggins, à minha mãe :p
Número de filhos: muitos, só em pensamentos
Como quero morrer: oh, como toda a gente: quentinha, a dormir e sem sofrimento
Piercings: sou uma medricas e isso de me andar a furar em sítios esquisitos assusta-me
Tatuagens: volto a dizer: sou uma medricas!
Quantas vezes o meu nome apareceu no jornal: algumas
Cicatrizes: neste último mês não fiz nenhuma. Já me chegam as 2 que tenho
Do que me arrependo de ter feito: uma vez roubei os bilhetes do carrossel ao meu irmão para eu andar duas vezes. Arrependo-me até hoje.
Cor favorita: verde em todas as suas variantes
Disciplina favorita na escola: sempre gostei muito de língua portuguesa mas a matemática fascinava-me
Um lugar onde nunca estive e gostaria de estar: Moçambique
Matutino ou nocturno: Nocturna. É à noite que fico mais criativa e que gosto de ter longas conversas. Detesto acordar cedo.
O que tenho no bolso: Não tenho bolsos
Em dez anos imagino-me: não posso revelar… mas a minha casinha amarela, com alpendre tem de lá estar!

terça-feira, outubro 16, 2007

Sopa de feijão manteiga

Ingredientes:
- 1 lata de feijão manteiga
- 250g de conselhos de um desconhecido

Receita:
Se quiser dexiar de ser um feijão manteiga esmagado na sopa do coração, oiça com atenção o que um desconhecido tem para lhe dizer.
Explicações:
Às vezes um conselho de alguém que não nos conhece consegue ser mais esclarecedor do que os que ouvimos das pessoas mais chegadas. Alguém que analise friamente uma situação, que não precise de tomar partidos.

Tal como numa sopa, a vida também precisa que se tape e destape a tampa do tacho de vez em quando. A minha tampa acabou de se destapar. Há que saber o momento exacto em que os ingredientes já não precisam de estar protegidos pelo calor desta guardiã. A mim, chegou a hora de enfrentar a corrente de ar da minha cozinha.

Viver e reviver o que já aconteceu consegue ser desgastante. Numa sopa, os feijões acabam por se desfazer se ficarem demasiado tempo ao lume. Eu, tal qual feijão manteiga que sou, decidi que estava na hora de continuar inteira.

Aqui fica uma proposta de música do Sting que eu adoro e que me inspira a recomeçar um “Brand New Day”. Quiçá desta vez como uma bela e robusta feijoca!

segunda-feira, outubro 15, 2007

Cuecas de banana flambè

Ingredientes:
- 1 banana
- cuecas mal escolhidas
- conselhos femininos qb

Receita:
Tapa-se a banana durante um dia inteiro com umas cuecas mal escolhidas. Quando chegar a hora da fervura vai certamente deixar alguém pouco "flambè".

Explicações:
As cuecas fazem toda a diferença quando chega a hora "flambè". Imaginem que estão a despir o Brad Pitt, em pleno acto de loucura e, de repente, dão com uma cuequinha azul pijama ou aos quadradinhos verdes e bordeaux. No mínimo, desmoralizante. Mais ainda se a bela de peúga não for retirada a tempo. Nisto estamos todas de acordo.

Este foi um dos grandes temas do dia entre o meio feminino que me rodeia e achei que devia partilhar convosco algumas das conclusões desta grave discussão. A cor é importante, o feitio nem se fala. Tal como os homens apreciam uma bela lingerie feminina, também nós gostamos de apreciar a mais íntima roupa masculina. Aqui ficam alguns conselhos a todos os meus amigos e leitores anónimos: esqueçam as cuecas, adoravelmente apelidadas de truces e quanto aos boxers largos, cheios de bonecada, façam o favor de os queimar numa fogueira.

Após uma breve recolha de opiniões, chegámos às grandes eleitas (por unanimidade): boxers Calvin Klein. Justinhas e pretas, não esquecer!
Depois disto, façam felizes as vossas mulheres com a sobremesa ;)

domingo, outubro 14, 2007

Euros de caramelo

Ingredientes:
- 500g de açúcar
- lume alto
- 0 euros na conta

Receita:
Leva-se uma conta bancária medíocre numa panela em lume brando durante anos a fio. Junta-se o açúcar e vai-se mexendo na esperança que nasça um caramelo.

Explicações:
Costuma-se dizer que o dinheiro não traz felicidade. Acho que, em parte, estão redondamente enganados. Ao fim de alguns anos às voltas no mercado de trabalho, com trocas de carreira e um recomeço atribuladamente sortudo, já chateia continuar a contar os trocos. Eu até sou uma daquelas caranguejas incuráveis para quem o "amor e uma cabana" poderiam ser lema de vida. No entanto, o meu ascendente em capricórnio começa a falar mais alto e repete todos os dias: "Maria, estás a afogar-te em dívidas".

Há coisas que me chateiam todos os meses. Por exemplo, em vez de comprar um champô de três euros da Panténe tenho de comprar o de 1,50 marca Carrefour. Se os amigos combinam uma jantarada sou a primeira a dizer: "Mas tem de ser num sítio barato". Se planeio fazer uma viagem de férias (a baixo-custo, acreditem! Até em sofás durmo) o cenário pós-diversão já sei qual é: conta negativa durante uns tempos e eu com a corda ao pescoço. Resumindo, tal com o açúcar precisa de um lume minimamente alto para se transformar num caramelo sólido e saboroso, também eu preciso de uma conta bancária minimamente alta (e atenção, não peço muito) para começar a solidificar a minha vida.

Irrita-me este sistema português onde quem mais dá o litro, mais anos demora a ser recompensado. A recompensa, diga-se, é um ordenado digno desse nome. Não ambiciono ter um BMW, nem roupas de marca. Mas ter impostos pagos a tempo e direito a um seguro de saúde já me parecia simpático. Não há esperança para esta minha geração que continua a ser explorada até ao tutano. Mesmo assim, o entusiamo que me rege não me permite baixar os braços e desanimar. Quanto mais a minha conta fica negativa mais eu trabalho e gosto do que faço. Serei eu burra?

quinta-feira, outubro 11, 2007

Os bombons da coragem

Ingredientes:
1 caixa de bombons
500g de coragem

Receita:
Passaram uns largos meses desde que decidiste ir embora. Recebi a notícia com aquela dignidade que me é característica. Não te despediste, isso não te perdoo. No momento em que desliguei o telefone senti que a injustiça do mundo caía nos meus ombros. Não era suposto teres desistido.
Ao longo destes meses foram muitas as vezes que chorei. Sozinha, claro. Como sabes não gosto que os outros me vejam chorar. Mesmo no dia em que foste embora sem olhar para trás, as minhas lágrimas correram às escondidas. A minha missão, como sempre, era deixar que todos pensassem que eu sou a muralha da China.

Tenho pensado ir visitar-te. Sei que já o devia ter feito, desculpa. Mas escondo-me na banal desculpa: não tenho tempo. A verdade é que sou uma cobarde. Não tenho coragem. Não quero admitir a mim mesma que não te vou voltar ouvir a rir.
Arrependo-me de todos os conselhos que nunca te cheguei a dar. De todas a vezes que pensei: tenho de adicionar o miudo no msn para pôr a conversa em dia. Nunca o cheguei a fazer. Arrependo-me de todas as vezes que tive vontade de te dizer que me orgulhava da força com que sugavas a vida. Também acho que nunca o fiz.
Decidi escrever sobre bombons porque sei que os adoras. Lembras-te do natal em que te apanhei atrás da árvore a devorar uma caixa de enfiada? Não devias, eras alérgico e a tua mãe ia-te matando. Mas é assim que te quero recordar para sempre. Um menino, todo lambuzado, com os olhos a brilhar de felicidade por comer um chocolate.

quarta-feira, outubro 10, 2007

A pizza da revelação

Ingredientes:
1 pizza
1 mulher

Receita-se:
Num jogo de paciência e imaginação, compara-se um jantar à base de pizza com a vida de uma mulher. As parecenças são mais do que se pode imaginar.

Explicações:
Esta foto transmite muito de mim. Observemos bem:

- A garra com que mordo esta garfada de pizza é a garra com que devoro a vida diariamente.

- A delicadeza com que saboreei cada pedaço daquele pitéu é a delicadeza com que saboreio as pequenas alegrias do meu dia-a-dia.

- A paciência com aguardei por aquele prato num restaurante de Padova, é a paciência com que aguardo diariamente por melhoras na minha vida profissional.

- A resignação quando chegou ao fim aquela maravilhosa pizza é a mesma resignação que sinto por aquilo que um dia provei ao de leve e que neste momento não posso ter.

- A satisfação de ter comido a melhor pizza de sempre equipara-se à satisfação que sinto por saber que tenho os melhores amigos do mundo.

- A forma como fechei os olhos para não esquecer aquele momento é a mesma com que fecho os olhos todas as noites e agradeço a vida que tenho.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Pipocas de national geographic

Ingredientes:
200g de pipocas
50g de açúcar sonhador
1 pacote de sal

Receita:
Num tacho bem quente põe-se o milho com as 50g de açúcar sonhador. Quando as pipocas começam a estalar entorna-se o amargo do sal e desliga-se o lume… por uns tempos.

Explicações:
Tal como as pipocas saltam no tacho, o "national geographic" salta dentro do meu estômago cada vez que o coração dispara. Como diria a minha amiga Cátia, não são apenas borboletas, é uma verdadeira selva.

Há uns dias o "national geographic" voltou a dar sinais de existência, provando a mim mesma que o mundo continua a girar e a surpreender-nos, por mais que eu de há uns meses para cá teimasse em pensar que não.

Infelizmente o meu "national geographic" resolve sempre ser activado no canal errado. E eu, racional como ando, corto as vazas a qualquer pipoca que tente saltar dentro do meu tacho. É que cada vez que decido pôr-lhes açúcar, acabam por entornar o sal no cartucho e só se lembram de me avisar depois de eu ter mordido a primeira.

domingo, outubro 07, 2007

Entre uma francesinha e um jarro da casa

Ingredientes:
1 francesinha
1 jarro de tinto da casa
kilo e meio de frases nortenhas

Receita:
Num tabuleiro põem-se dois lisboetas,a francesinha e o jarro da casa. Liga-se o lume e enquanto se aguarda dizem-se umas boas frases nortenhas de mão na anca.

Explicações:
Ir ao Porto agrada-me sempre. Talvez porque sempre tive bons momentos lá.

Zona ribeirinha, dez da noite. Frente a uma francesinha e a um bom vinho da casa, dei por mim em grandes gargalhadas com o meu melhor amigo (Nuno, já lá vão 19 anos!). Fomos jantar ao sítio mais pitoresco possível... com faducho a tocar e um ambiente bem familiar. Três frases marcaram a noite e deixaram-me deliciada com o "à vontadinha" do pessoal do norte. De mão na anca, a empregada mais velha gritava com a mais nova por causa de uns talheres em falta:
"Olha lá, debes achar que eles bão comêr cus pés!"
Fui apanhada desprevenida e não consegui deixar de soltar uma gargalhada bem alta. Ela piscou-me o olho e completou o raciocínio: "Tem de ser menina! Os turistas gostam de achar que nós somos fodidas!".
Mas a melhor da noite ainda estava para chegar. Um alemão ao meu lado bebia cerveja como quem bebe água... coisa comum. À terceira caneca de meio litro, a fantástica empregada supera todas as minha expectativas: "Mais uma??! Fôgo, se fosse meu marido fodió tôdo! Punhó a dourmir debáixo da câma!".
Perante o meu ataque de riso e o de todos os portugueses presentes, o homem ainda me pediu para traduzir. Achei melhor dizer apenas que "o pessoal do Porto é muito brincalhão".

É incrível como Portugal é um país tão pequeno mas com tantas pessoas diferentes. É como se tivessemos dezenas de pequenos países, com diferentes culturas, dentro de um só. Foi um fim-de-semana de reencontros com o passado. Longas conversas, desabafos, confissões, gargalhadas, muitas gargalhadas. E claro, a nostalgia.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Vinho de desencontros

Ingredientes:
500g de desencontros
1.43m de “Fado da procura”
vinho qb

Receita:
Durante um minuto e quarenta e três segundos ouve-se o “Fado da procura”, se possível, regado com um bom copo de vinho.

Explicações:
De há uns dias para cá não consigo parar de ouvir uma música deliciosa da Ana Moura: o “Fado da Procura”. A letra é de uma simplicidade maravilhosa. Será que também eu ando desencontrada?!



“Mas porque é que a gente não se encontra?
No largo da Bica fui-te procurar
Campo das Cebolas e eu sem te encontrar
Eu fui mesmo até à casa do fado
Mas tu não estavas em nenhum lado
Mas porque é que a gente não se encontra?
Mas porque é que a gente não se encontra?
Já estou sem saber o que hei-de fazer
Se seguir em frente, ai madre de Deus
Se voltar a trás, ai chiados meus
E o rio diz que tarde infeliz
Mas porque é que a gente não se encontra?
Mas porque é que a gente não se encontra?
Já estou farta disto, farta de verdade
Vou beber a bica, sentar e pensar
Ver se esta saudade, ai fica ou não fica
E talvez sem querer não querem lá ver
Sem te procurar te vejo a passar!”

sexta-feira, setembro 28, 2007

Torta de paixoneta por mim mesma

Ingredientes:
500g de optimismo
Uma tablete de Paulinha
Amor-próprio qb

Receita:
A uma tablete de Paulinha bem aviada junta-se o optimismo. Numa forma bem untada leva-se ao forno e deixa-se crescer até subir o amor-próprio.

Explicações:
Há uns dias uma colega disse-me: “São dez da noite, estás a trabalhar há horas e horas mas tens um ar tão saudável. Acho que nunca te vi com má cara”. Caí em mim: este é o reflexo do meu optimismo pela vida… muitas vezes absurdo, tenho de admitir. Sempre fui estupidamente positiva e nos últimos meses, contra todas as expectativas, quase que me sinto apaixonada por mim mesma.

Gosto de acordar de manhã e sentir-me de bem com a vida. É o que me tem acontecido. Sinto-me bem comigo mesma, olho ao espelho e continuo a gostar do que vejo, mesmo consciente de todas as imperfeições que agora me parecem perfeitas.

Tenho saudades, por vezes muitas, sinto-me cansada, porque corpo não é de ferro, fico desmotivada quando olho para a minha conta bancária e para as poucas perspectivas de rápidas melhoras, mas, mesmo assim, sinto-me estupidamente feliz. Feliz comigo mesma.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Caçarola de maquilhagem ao volante

Ingredientes:
150g de maquilhagem
1 volante e um espelho retrovisor
120 euros de multa

Receita:
Junta-se um mulher, um baton e um espelho retrovisor numa caçarola. Junta-se um polícia e apaga-se o lume antes que levante fervura.

Explicações:
Venho por este meio expressar a minha indignação contra as multas (docemente apelidadas de coimas) que os senhores polícias passam às condutoras, em puros actos de revolta masculina! Esta semana a minha querida amiga Cátia foi multada em mais de 100 euros por estar a passar baton nos lábios (do cieiro!) enquanto conduzia. Não sabia sequer que isto podia acontecer.

Será que ninguém percebe que entre carreiras puxadas a ferros e vidas domésticas atribuladas (tudo em saltos altos, é bom lembrar!), nós mulheres acabamos por não ter tempo para coisas tão básicas como a maquilhagem? Quantas vezes aproveito eu os três semáforos e as portagens que separam o meu percurso casa/trabalho para dar um toque à cara ou pintar as unhas. Ao fim de um ano, já podia estar a dever ao Estado pelo menos uns 36 mil euros por tal infracção ao volante!

Será que também há multas para todos os homens que já vi a tirar macacos enquanto conduzem ou até mesmo a ler jornais desportivos em cima do volante? Não me parece.

Cátia, estou solidária!

sexta-feira, setembro 21, 2007

Bíblia no forno do inferno

Ingredientes:
3 actores
500g das sagradas escrituras
Paródia qb

Receita:
Misturam-se três actores semi-nús, o sumo da fruta proibida e várias talhadas das sagradas escrituras. Leva-se ao forno infernal da Companhia teatral do Chiado e deixa-se tostar até doer a barriga de tanto rir.

Explicações:
Quando morrer vou direitinha pró inferno. Sou uma herege, admito. Para grande desgosto da minha mãe e afins.
Ontem tive a oportunidade de ver a estreia da peça “A Bíblia: toda a palavra de Deus sintetizada”. Como não podia deixar de ser, adorei. Mais uma vez a Companhia Teatral do Chiado volta a provar que é mestra na arte da comédia (lamento a todos os que não conseguem perceber o humor destes profissionais: eu gosto).
Sempre me incomodaram as “contradições católicas”, as dízimas, a inquisição, o celibato e coisas do género que têm feito parte da sua história. Respeito os seguidores, tal como respeito os adeptos de outros clubes de futebol, mas não me peçam para acreditar.
Só tenho pena que a peça não foque melhor a parte da Maria Madalena e do seu suposto caso escaldante com o Jesus. Possivelmente quem fez a adaptação não quis entrar em concorrência com o Dan Brown. Mal posso esperar pela crítica mesquinha dos falsos pudicos do nosso querido Portugal…

terça-feira, setembro 18, 2007

Tortilha fugaz

Ingredientes:
Barcelona
1 passeio nocturno

Receita:
passeia-se por Barcelona à noite, misturando bem as luzes dos candeeiros com as sombras do Bairro Gótico. Troca-se um sorriso com um estranho e leva-se a fritar ao som da música "Aranguês"

Explicações:
Há momentos que nos marcam e não sabemos explicar porquê. Segundos de partilha fugaz, cuja intensidade perdura na nossa memória como se da cena de um filme se tratasse.

Barcelona, Bairro Gótico, início da noite.
No meio de muitas reflexões silenciosas caminho pelas ruas cinzentas e cheias de sombras do Bairro Gótico de Barcelona. Ao fundo oiço os acordes de uma música familiar: "Aranguês". Enquanto caminho, a minha infância passa-me pelos olhos como pequenas flashadas. O meu pai a ensinar o meu irmão a tocar viola, eu a balançar com as pernas sentada no sofá enquanto decorriam os longos ensaios do trio de guitarras do meu progenitor. Por fracções de segundo quase sinto o cheiro do incenso que a minha mãe queimava religiosamente nas tardes musicais da minha casinha de São Bento.

Avanço mais um pouco e vejo-o pela primeira vez. Como se um iman me puxasse viro a cabeça na sua direcção e sorrio. O sorriso é-me retribuido durante 2 ou 3 segundos que pareceram eternos. Numa rua escura de Barcelona ele continuou a tocar como se percebesse que aquela música era mais uma das que inevitavelmente fazem parte da banda sonora da minha vida. Chamava-se Álvaro (soube quando me aproximei mais tarde para pedir que voltasse a tocar aquela música). Senti vontade de chorar. Nunca antes me tinha sentido tão em sintonia com um estranho, sem ter de trocar uma palavra. Nem sequer sabia que era possível.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Cocktail de àgua italiana

Ingredientes:
1 passeio de barco
2 italianos
2 viajantes
gondola qb

Receita:
Juntam-se os dois italianos com as duas viajantes e bate-se com muita àgua de um rio de Padova.

Explicaçoes:
Imaginem dois italianos bem engraçados que decidem levar uma portuguesa e uma brasileira a dar um maravilhoso passeio de barco a remos num rio de Padova. As damas sentadinhas e os rapazes a cantarem musicas romanticas bem ao estilo italiano. Maravilhoso, nao è? Teria sido perfeito se eu nao tivesse caido ao rio no fim da viagem.
é verdade... como ja è sabido eu sou um desastre andante. A tarde romantica acabou comigo dentro de àgua (com telemovel e dinheiro da viagem incluido). A Margareth gritava "Pauuuuuulinhaaaa", o Paolo exclamava "porca putana" e o meu grande amigo Fillipo repetia "Dio Santo!" sem parar. Enfim, uma apresentaçao em grande em terras italianas.
Tenho a perna e o pè com umas boas manchas negras e continuo à espera de acordar amarela e com 40 de febre... tudo porque a àgua estava infectada com uma doença qualquer dos ratos!
Tirando este triste mas hilariante episodio, estou a adorar a itàlia! A comida, o habito do vinho pela tarde fora, as pessoas... os homens, claro! Agora percebo o porque da sua fama...
Prometo deixar fotos em breve!

quarta-feira, agosto 29, 2007

Suspiros de pequenos prazeres da vida

Ingredientes:
1kg de suspiros
toneladas de pequenos prazeres

Receita:
Juntam-se pequenos prazeres da vida à banalidade do dia-a-dia. Mistura-se com a doçura da simplicidade e leva-se ao forno em forma de pequenos suspiros.

Explicações extra:
Tal como os pequenos pormenores, adoro também os pequenos prazeres da vida. Ontem dei por mim a guiar na marginal ao início da noite e a pensar nisto. A beleza e o prazer podem estar nas coisas mais banais do dia-a-dia. Aqui vai uma listinha feita esta manhã entre uma torrada e um balde de café:

- Andar descalça
- Dormir em lençóis passados a ferro
- Adormecer na praia embalada pelo som do mar
- Cantar de olhos fechados num concerto
- Um livro que me faça ficar a ler a noite toda
- Ouvir o meu sobrinho dizer “gosto tanto de ti tia Paulinha”
- Ficar enroscada no sofá em dias de chuva
- Conduzir ao som de música clássica
- Andar de havaianas todo o dia
- Cozinhar para os amigos
- Tirar um dia para pôr cremes, fazer manicura e coisas do género (as mulheres percebem…)
- Uma boa conversa acompanhada por uma bela garrafa de vinho
- Rir até chorar… sabe tão bem!

segunda-feira, agosto 27, 2007

Queijadas de orgulho português

Ingredientes:
500g de fado
1 colher de orgulho
Sintra qb para polvilhar

Receita:
Bate-se durante duas horas uma fadista a interpretar a música de todos os portugueses. Polvilha-se com a beleza nocturna de Sintra e está pronto a servir.

Explicações extra:

De um lado o convento. Do outro o castelo dos Mouros, iluminado, na escuridão da serra de Sintra. Cá em baixo, Mariza a interpretar poemas de Fernando Pessoa, com o som inconfundível de um trio de guitarras. Foi neste cenário que ontem não consegui deixar de sentir orgulho em ser portuguesa e fazer parte de todas estas tradições.
Durante as quase duas horas de concerto viajei a diversos momentos do passado. A primeira grande recordação transporta-me para as noites em Alfama em que, embalada pelo som das guitarras do meu pai e avô, adormecia ao colo da minha mãe. No ar o cheiro a tabaco, a vinho, a chouriço assado e ao perfume forte das fadistas da velha guarda que me beliscavam a bochecha e diziam que eu parecia uma boneca.

Impossível esquecer também as noites de Natal em que os serões terminavam com o meu pai à viola e as tias a tentarem (sem sucesso) dar voz à mais famosa canção portuguesa. Mais recentemente, as noites passadas com amigos na Tasca do Chico, entre imperiais e conversas animadas.
O fado esteve sempre presente na minha vida. Talvez por isso estas palavras estejam tão impregnadas na minha pele: nostalgia, sentimento, saudade, destino. Assim sou eu.

Aqui fica uma das que eu mais gosto e tento (sem sucesso!) cantar no banho.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Paulinha em brasa

Ingredientes:
500g de discórdia
1 pitada de censura
reflexão qb

Receita:
Discute-se uma ideia durante cerca de meia-hora ao telefone e leva-se à mesa para reflectir.

Explicações extra:

Boas notícias: o meu blogue já aparece nos alertas do Google! Pensava eu que escrevia no anonimato do meu mundo privado e afinal tenho uma máquina da Gestapo bem atenta a vasculhar o meu livro de receitas…
O sucesso fugaz da “Culinária da Vida” traz no entanto alguns contratempos. Ao que parece, sou uma pessoa com responsabilidades inerentes à minha carreira... Embora nunca tenha escrito quem sou, nem assine aqui com o meu nome profissional. Um pouco contraditório, não?

Correm rumores que a “censura” não achou muita piada a alguns elogios femininos escritos neste blogue. Tudo porque conheci a pessoa em questão em contexto profissional… afinal as jornalistas são seres assexuados. Depois de saber que estava à beira da crucificação pus em causa se alguém que usa a web todos os dias e cuja máquina que tem por trás não percebe a 100% a liberdade de um blogue pessoal deveria ter a minha consideração. Mas sejamos realistas: até tem! Continuo a ter a minha elevada dose de consideração pelo trabalho realizado. O hábito da profissão obriga-me a dizer a verdade.

Mas após um período de reflexão nas minha panelas, decidi reformular ligeiramente o post da discórdia (mesmo contra os conselhos superiores) e é por isso que escrevo este texto. Amigos, leitores, vocês merecem saber porquê: faço-o porque citei duas pessoas que nada têm a ver com os meus refogados e são colegas por quem tenho elevada estima. Portanto, retiro-os desta receita . O resto é a minha visão de mulher anónima (peço desculpa se o meu anonimato incomoda) que, penso eu, não ofende ninguém. Pelo contrário.

Nunca misturei a minha vida privada com a profissão e faço questão de nunca invadir esse mesmo campo das pessoas que entrevisto. Mas parece que o contrário não acontece com tanta facilidade. Percebi na semana passada que qualquer pessoa pode opinar sobre um blogue estritamente pessoal... tudo porque trabalho em comunicação social. Portanto, admito: estou chateada. E depois de umas quantas voltas nas definições do blogue decidi que não vou obrigar ninguém a inscrições maçadoras para o poder ler.

Se os meus relatos são sobre situações diárias… e passando eu cerca de 12 horas por dia absorvida na minha profissão, é normal que a grande maioria destas receitas sejam retiradas do grande banquete que é a minha carreira. Mas para que não restem dúvidas caros leitores… neste espaço eu sou apenas a Paulinha, a mestra da culinária. E isto não é um espaço de lavagem de roupa suja, é apenas um livro de receitas da vida :)

PS – Caras companheiras de guerra, será que quando eu entrevistar o Brad Pitt e deixar aqui escrito com todas as letras que até dava uma voltinha com ele a Angelina me vem fazer uma espera? Nunca se sabe, vou ter mais cuidado…