
A cada braçada sinto a água a ganhar mais temperatura, tal como os meus pensamentos. Nado pelas águas de Malta, onde tenho vontade de voltar depois de um telefonema com desculpa natalícia. Molho os pés no Mar Negro, antevendo a viagem que tenciono fazer este ano pela Turquia. Sigo a bruços até Moçambique e por lá faço uma paragem. Talvez como a que tenciono fazer quando organizar a minha rota (da vida).
Mergulho novamente até às piscinas de São Bento, de onde guardo as melhores memórias de uma infância que terminou envolta em tristeza. A tristeza transporta-me para as margens do rio Saone, em Lyon, onde descobri mais uma vez que na minha cozinha há uma capacidade estrondosa de erguer a cabeça e seguir em frente em vez de chorar. Deixo-me ficar em banho-maria, porque nas águas algarvias é assim que ando. Acabo a boiar nas recordações de Cinque Terre, onde relaxei pela última vez como costumo fazer na minha natação de fim de dia.
Saio do tacho, os pensamentos borbulham e volto a erguer a colher de pau para mexer a água do meu próximo cozinhado. Só ainda não decidi qual será.